O Bioparque Pantanal se destacou na conservação de espécies aquáticas, reproduzindo 100 espécies em ambiente controlado, tornando-se o maior banco genético vivo de água doce do mundo. Entre essas espécies, 29 são inéditas globalmente e 20 no Brasil, incluindo três ameaçadas de extinção. A reprodução é realizada de forma natural, com suporte tecnológico e protocolos rigorosos, visando a manutenção da diversidade genética e a pesquisa científica. Além disso, a criação de um reservatório genético ajuda a proteger a biodiversidade diante de ameaças como degradação de habitats e mudanças climáticas.
O Bioparque Pantanal alcançou um marco histórico na conservação de espécies aquáticas ao reproduzir 100 espécies diferentes em ambiente controlado, consolidando-se como o maior banco genético vivo de organismos de água doce do mundo.
Essas espécies correspondem a mais de 21% do total de animais do Bioparque. Entre elas, mais de 4 mil nasceram no local, 29 representam registros inéditos no mundo e 20 são registros inéditos no Brasil, incluindo três espécies ameaçadas de extinção.
O aquário abriga espécies dos biomas Pantanal, Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga, além de espécies de outros continentes. Entre elas estão animais raros ou com características específicas, como o cascudo-viola, cujo macho carrega os ovos na boca até a eclosão, o cascudo-cego, adaptado a ambientes subterrâneos, e o axolote mexicano, conhecido pela capacidade de regeneração de tecidos.
De acordo com a diretora do Bioparque, Maria Fernanda Balestieri, a marca de 100 espécies reproduzidas representa uma “virada de chave” para o espaço, consolidando-o como um centro de pesquisa científica e turismo voltado à ciência.
Apesar de ocorrer em ambiente controlado, a reprodução é conduzida de forma natural na maioria dos casos, sem interferência direta. O processo é viabilizado por protocolos rigorosos, equipe técnica especializada, controle preciso dos parâmetros da água, nutrição adequada e sistemas robustos de suporte à vida.
O Bioparque também utiliza tecnologias inovadoras para apoiar o manejo e a pesquisa, como tocas de reprodução produzidas em impressora 3D, que imitam abrigos naturais utilizados pelos peixes durante a desova. As estruturas permitem a observação do comportamento reprodutivo e o acompanhamento do processo em ambiente controlado.
Outro recurso é o banco de ovos e larvas, que reúne amostras das fases iniciais de desenvolvimento dos peixes. O material é armazenado e catalogado para uso em estudos científicos e atividades de formação, contribuindo para a identificação de espécies, pesquisas sobre desenvolvimento embrionário e capacitação de pesquisadores.
A reprodução em ambiente controlado contribui para a manutenção da diversidade genética das espécies. Isso é especialmente relevante diante de desafios enfrentados pelos organismos de água doce, como degradação de habitats, construção de barragens, fragmentação de rios, pesca predatória e mudanças climáticas.
Com a criação de um reservatório genético, os pesquisadores ajudam a reduzir o risco de perda de espécies e fortalecem a proteção da biodiversidade. Além disso, cada reprodução registrada gera dados importantes para estudos científicos sobre biologia reprodutiva, comportamento, alimentação, ciclos hormonais e condições ambientais necessárias para o desenvolvimento das espécies.