BC reduz Selic para 14,75% e mantém cautela diante de conflito internacional

Após cinco reuniões consecutivas de manutenção, o Banco Central inicia ciclo de cortes na Selic, mas alerta que revisão futura dependerá de cenário externo e inflação

Por -Gabriela Porto

Primeira queda da taxa básica de juros desde 2024 leva Selic de 15% para 14,75%, enquanto incertezas sobre preço do petróleo influenciam decisões do Copom. - Foto: Divulgação

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O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu unânime reduzir a Selic de 15% para 14,75% ao ano, marcando a primeira queda desde 2024. O movimento era aguardado pelo mercado, embora alguns analistas esperassem uma redução maior. O Banco Central destacou a cautela devido a incertezas internacionais, especialmente no setor de petróleo, e não descarta novos ajustes na política monetária. Apesar da queda, a projeção de inflação para 2026 aumentou, refletindo os impactos do conflito no Oriente Médio. O BC continua a monitorar a economia e alerta para possíveis revisões se as condições mudarem.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, reduzir a Selic de 15% para 14,75% ao ano. Trata-se da primeira queda na taxa básica de juros desde 2024, após cinco reuniões consecutivas de manutenção no patamar elevado.

A decisão já era esperada pelo mercado financeiro, segundo o boletim Focus, embora parte dos analistas apostasse em um corte maior de 0,5 ponto percentual. A Selic de 15% estava no maior nível desde julho de 2006, quando alcançou 15,25%. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes, mas permaneceu inalterada nas quatro reuniões seguintes.

Em comunicado, o BC destacou que iniciou o ciclo de cortes, mas manteve cautela diante do aumento das incertezas no cenário internacional, especialmente pelo conflito no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo. O Banco Central não descartou ajustes futuros na política monetária, caso seja necessário.

“A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação e serve de referência para as demais taxas da economia”, afirmou a autoridade monetária.

Inflação e projeções

O IPCA registrou alta de 0,7% em fevereiro, puxada por gastos com educação. No acumulado de 12 meses, a inflação recuou para 3,81%, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024. Entretanto, o boletim Focus elevou a previsão de inflação para 2026 de 3,8% para 4,1%, em função do impacto do conflito internacional sobre os preços de energia e petróleo.

O intervalo de tolerância da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) varia de 1,5 ponto percentual acima e abaixo da meta central de 3%, permitindo alcançar até 4,5%. Analistas projetam que a Selic poderá encerrar 2026 em 12,25% ao ano.

Apesar do corte, o Banco Central mantém monitoramento constante das condições econômicas e alerta que revisões podem ocorrer se o cenário externo ou a inflação mudarem significativamente.