O Procon-MS investiga se distribuidoras de combustíveis em Mato Grosso do Sul estão cobrando preços excessivos após a recente alta de mais de 5% na gasolina, que chegou a R$ 7,85 em Campo Grande. Apesar de reuniões com o setor, não foram tomadas medidas imediatas, mas uma fiscalização contínua será realizada para proteger o consumidor. O aumento dos preços é atribuído ao cenário internacional e à necessidade de importação de combustível, já que a Petrobras não atende toda a demanda do estado.
A alta recente nos preços dos combustíveis em Mato Grosso do Sul entrou na mira do Procon-MS, que investiga se distribuidoras estão praticando sobrepreço na venda para postos. A apuração ocorre após reunião realizada na quinta-feira (19) com empresas do setor e representantes do comércio.
Desde o fim de fevereiro, o valor da gasolina já subiu mais de 5% em Campo Grande, chegando a R$ 7,85 em cidades do interior, o que acendeu o alerta do órgão de defesa do consumidor.
Apesar do encontro, não foram adotadas medidas imediatas para conter a alta, e ficou definido que não há risco de desabastecimento no Estado. Participaram da reunião distribuidoras como Ipiranga, Vibra Energia e Ciapetro, além do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sinpetro) e representantes do Detran.
Segundo o superintendente do Procon-MS, Antonio José Angelo Motti, o objetivo é analisar a composição dos preços praticados pelas distribuidoras.
“Existe um custo econômico trazido pelas distribuidoras que queremos analisar para verificar se há sobrepreço no processo de distribuição”, afirmou Motti.
Caso sejam identificadas irregularidades ou falta de comprovação nos valores, o caso poderá ser encaminhado a outros órgãos de controle. O Procon pretende manter fiscalização contínua para proteger o consumidor.
Representantes do setor atribuem o aumento ao cenário internacional, principalmente ao conflito no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo. Embora não tenha havido reajuste recente da gasolina pela Petrobras, o diesel já sofreu aumento.
O presidente do Sinpetro, Edson Lazarotto, afirmou que a dificuldade em reduzir os preços está ligada ao funcionamento do mercado:
“O mercado é livre e, em período de guerra, é muito complicado. Combustível é essencial, ainda mais em plena safra de soja.”
Outro fator apontado é a necessidade de importação. Segundo o sindicato, a Petrobras não tem suprido toda a demanda do Estado, obrigando as distribuidoras a adquirir combustível no exterior, geralmente a preços mais elevados.
O Procon confirmou que há defasagem no abastecimento, com apenas parte do volume solicitado sendo atendida, reforçando a dependência de importação. Além disso, empresas relataram aumento nos custos logísticos, tanto no transporte marítimo quanto rodoviário, e restrição na oferta diante do crescimento da demanda.
Diante do cenário, o Procon informou que deve enviar notificações recomendatórias às distribuidoras, modelo semelhante ao já aplicado aos postos de combustíveis.