Mercado do boi gordo segue travado, mas arroba se mantém firme
Queda de braço entre pecuaristas e frigoríficos sustenta preços, mesmo com pressão de baixa nas negociações
Oferta restrita de animais prontos e escalas curtas de abate mantêm mercado em compasso de espera. - Foto: Sistema Famasul
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O mercado brasileiro de boi gordo está com negociações limitadas devido à oferta restrita de animais prontos para abate e escalas curtas nos frigoríficos. As cotações permanecem estáveis, com valores em São Paulo a R$ 350 por arroba e uma média de R$ 328,80 nas demais regiões. Pecuaristas retêm o gado esperando melhores preços, enquanto frigoríficos enfrentam dificuldades com a disponibilidade de gado. O cenário externo também preocupa, especialmente por tensões no Oriente Médio que afetam rotas logísticas e custos. Rumores sobre mudanças na política de importação da China podem impactar ainda mais as exportações brasileiras.
O mercado brasileiro do boi gordo iniciou a semana com negociações travadas, reflexo da oferta limitada de animais prontos para abate, escalas encurtadas nos frigoríficos e um cenário externo que recomenda cautela.
De acordo com analistas da Agrifatto, as cotações da arroba permaneceram estáveisnas 17 praças monitoradas pela consultoria.
Em São Paulo, o boi gordo segue cotado a R$ 350 por arroba, com pagamento a prazo. Nas demais 16 regiões acompanhadas, a média registrada foi de R$ 328,80/@.
Levantamento da Scot Consultoria indica que, no mercado paulista, o boi gordo sem padrão de exportação está cotado em R$ 347/@. Já o chamado “boi-China”, a vaca gorda e a novilha terminada são negociados a R$ 350/@, R$ 322/@ e R$ 335/@, respectivamente, considerando preços brutos e a prazo.
Segundo a Agrifatto, o mercado vive uma disputa acirrada entre pecuaristas e frigoríficos. Do lado dos produtores, a estratégia tem sido reter os animais no pasto à espera de preços melhores.
Já os frigoríficos operam com escalas de abate relativamente curtas, entre seis e sete dias na média nacional, reflexo direto da menor disponibilidade de gado pronto.
Cenário externo preocupa“Nesse ambiente, a pressão baixista exercida pelos compradores esbarra na postura mais firme dos pecuaristas, mantendo o mercado travado e a arroba sustentada”, destaca a consultoria.
Além dos fatores internos, o cenário internacional também contribui para o ritmo mais lento das negociações.
De acordo com a Agrifatto, o conflito no Oriente Médio aumenta a incerteza nas rotas logísticas globais, especialmente em regiões estratégicas como o Estreito de Ormuz.
A instabilidade pode provocar desvios no transporte marítimo, elevar o tempo de entrega e encarecer o frete internacional.
Outro ponto de atenção é a volatilidade no mercado de petróleo, que pode gerar reajustes nos combustíveis e pressionar custos em toda a cadeia pecuária, do transporte interno às exportações.
Rumores envolvendo a ChinaA consultoria também aponta a circulação de rumores sobre possíveis mudanças na política de importação da China, principal destino da carne bovina brasileira.
A especulação indica que embarques realizados no último trimestre de 2025 poderiam ser contabilizados dentro da cota de 2026, o que teria potencial para alterar o ritmo das exportações e exigir ajustes nas estratégias comerciais dos exportadores.