Reajuste das mensalidades escolares faz inflação acelerar para 0,70%

Educação e transportes concentram dois terços do aumento do IPCA em fevereiro

Por -Gabriela Porto
Reajuste das mensalidades escolares faz inflação acelerar para 0,70%
A maior contribuição para a inflação do mês veio dos cursos regulares (6,20%), por conta dos reajustes habitualmente praticados no início do ano letivo - Foto: Alba Rosa/AEN
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O IPCA teve um aumento de 0,33% em janeiro para 0,70% em fevereiro de 2026, a maior taxa para o mês desde 2025, com destaque para o grupo Educação (5,21%) e Transportes (0,74%). No acumulado do ano, o índice registra alta de 1,03% e 3,81% nos últimos 12 meses, abaixo dos 4,44% anteriores. A alimentação em domicílio teve leve alta de 0,26%, enquanto o grupo Saúde subiu 0,59%. A variação regional mais elevada foi em Fortaleza (0,98%), e a menor em Rio Branco (0,07%). O INPC, que mede a inflação para famílias de baixa renda, teve alta de 0,56% em fevereiro e 3,36% nos últimos 12 meses.

 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 0,33% em janeiro para 0,70% em fevereiro de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se da maior taxa para o mês desde fevereiro de 2025, quando o índice chegou a 1,31%.

 

O principal fator por trás da aceleração foi o grupo Educação, que registrou variação de 5,21% e contribuição de 0,31 ponto percentual para o índice mensal. Os reajustes anuais das mensalidades escolares impactaram especialmente os cursos regulares, que subiram 6,20%, com destaque para ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%). Junto ao aumento registrado no grupo Transportes (0,74%), que contribuiu com 0,15 ponto percentual devido a passagens aéreas, seguros de veículos, consertos e transporte urbano, ambos os grupos responderam por cerca de dois terços da inflação do mês.

 

No acumulado do ano, o IPCA registra alta de 1,03%, enquanto nos últimos 12 meses o índice ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, embora o resultado de fevereiro seja maior que em meses anteriores, ele representa a menor taxa para o mês desde 2020, quando o índice foi de 0,25%. Ele ressalta ainda que a aceleração de Educação em relação a fevereiro de 2025, que registrou 4,70%, reforça o impacto dos reajustes das mensalidades escolares.

 

Análise detalhada dos grupos de despesa

 

O grupo Alimentação e Bebidas teve leve aumento de 0,26%, com destaque para a alimentação no domicílio, que passou de 0,10% em janeiro para 0,23% em fevereiro. Entre os produtos que mais subiram estão açaí (25,29%), feijão-carioca (11,73%), ovo de galinha (4,55%) e carnes (0,58%). Houve queda em frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%). Já a alimentação fora do domicílio apresentou desaceleração, com refeição passando de 0,66% para 0,49% e lanche de 0,27% para 0,15%.

 

O grupo Saúde e Cuidados Pessoais registrou aumento de 0,59%, com destaque para artigos de higiene pessoal (0,92%) e plano de saúde (0,49%). Já Habitação apresentou variação de 0,30%, após queda de 0,11% em janeiro, impulsionada pelo subitem taxa de água e esgoto, com reajustes aplicados em diferentes cidades, como Porto Alegre, Belo Horizonte, Campo Grande e São Paulo. A energia elétrica residencial variou 0,33% em fevereiro, com a manutenção da bandeira tarifária verde, enquanto o gás encanado recuou 1,60%.

 

No setor de Transportes, a passagem aérea subiu 11,40%, além de aumentos no seguro voluntário de veículos (5,62%), conserto de automóvel (1,22%) e ônibus urbano (1,14%). Entre os combustíveis, a gasolina caiu 0,61%, o gás veicular recuou 3,10%, enquanto etanol subiu 0,55% e óleo diesel 0,23%.

 

Variações regionais do IPCA

 

A maior variação do IPCA de fevereiro ocorreu em Fortaleza (0,98%), influenciada pelo aumento nos cursos regulares (6,83%) e da gasolina (2,95%). A menor foi registrada em Rio Branco (0,07%), devido à queda na energia elétrica residencial (-1,27%) e no automóvel novo (-0,85%).

 

INPC: Inflação para Famílias de baixa renda

 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com rendimentos de 1 a 5 salários mínimos, registrou alta de 0,56% em fevereiro, 0,17 ponto percentual acima do resultado de janeiro (0,39%). No acumulado do ano, o INPC subiu 0,95%, enquanto nos últimos 12 meses apresentou variação de 3,36%, abaixo dos 4,30% observados nos 12 meses anteriores.

 

O IPCA abrange famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos, residentes em regiões metropolitanas como Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, além do Distrito Federal e municípios como Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. Os dados completos estão disponíveis no Sidra, e a próxima divulgação, referente a março de 2026, será realizada em 10 de abril.

 


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