Embrapa e Geneplus ampliam produção de embriões Nelore
Parceria aposta em genética superior para elevar produtividade do rebanho
Por meio da técnica de aspiração folicular in vivo (OPU), foi feita a coleta de ovócitos, que foram encaminhados a laboratórios de fertilização - Crédito: Divulgação
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A Embrapa Gado de Corte e a Geneplus Consultoria Agropecuária Ltda estão ampliando a produção de genética bovina superior da raça Nelore através de embriões in vitro em Campo Grande. O projeto, que prioriza a seleção de fêmeas com alto padrão genético, utiliza tecnologia de fertilização e visa aumentar a eficiência reprodutiva e a competitividade da pecuária brasileira. A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul também participa, proporcionando aprendizado prático ao acadêmicos. A ação integra o projeto BRNELORE, que busca desenvolver sistemas pecuários mais produtivos e sustentáveis até 2028.
A Embrapa Gado de Corte e a Geneplus Consultoria Agropecuária Ltda ampliaram a produção e a disseminação de genética bovina superior da raça Nelore por meio da produção de embriões in vitro.
A iniciativa, desenvolvida em Campo Grande, busca aumentar a eficiência reprodutiva, a precocidade dos animais e o mérito genético dos rebanhos, fortalecendo a competitividade da pecuária brasileira.
Seleção de alto padrão genéticoO projeto prevê a produção de embriões a partir de fêmeas do rebanho BRGCd, selecionadas com base no Índice de Qualificação Genética (IQG). A prioridade são matrizes entre os 3% superiores da última avaliação do Programa Embrapa-Geneplus.
Em avaliação realizada em janeiro de 2024, 95 fêmeas atenderam a esse critério, consolidando uma base genética de alto desempenho.
Tecnologia aplicada à reproduçãoPor meio da técnica de aspiração folicular in vivo (OPU), foram coletados ovócitos encaminhados para laboratórios de fertilização in vitro (FIV). Os embriões foram produzidos com sêmen de touros superiores participantes do programa e posteriormente repassados a fazendas parceiras.
Segundo o pesquisador Eriklis Nogueira, a expectativa é de uma média de seis embriões grau um por sessão, com produção estimada em cerca de 500 embriões ao longo do ano. O material poderá ser utilizado tanto fresco quanto congelado.
Integração com ensino e pesquisaParceira no projeto, a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) também participa da produção de embriões in vitro a partir das doadoras da Embrapa.
Para a professora Fabiana Melo Sterza, a iniciativa acelera o melhoramento genético e oferece oportunidade prática para acadêmicos acompanharem técnicas como a transferência de embriões associada à IATF.
Aplicação no campoA fazenda Genética Aditiva é uma das participantes do programa. Para o gerente de pecuária Flávio Sandim, os embriões representam uma ampliação de pedigree e agregam valor ao rebanho.
A transferência dos embriões também foi realizada no próprio rebanho da Embrapa, com vacas e novilhas receptoras previamente sincronizadas. A técnica já responde por cerca de 35% das prenhezes da estação de monta do rebanho BRGC.
Expansão do melhoramento genéticoAlém da unidade em Campo Grande, outras unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, como a Embrapa Pantanal, em Corumbá, e a Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos, passarão a integrar o núcleo de melhoramento genético.
Os resultados serão monitorados por meio da evolução do IQG e divulgados publicamente, reforçando a transparência científica.
Projeto BRNELOREA ação faz parte do projeto BRNELORE, voltado ao desenvolvimento de sistemas pecuários tropicais mais produtivos, sustentáveis e resilientes. A iniciativa começou em 2024 e segue até 2028, sob liderança do pesquisador Gilberto Menezes.
A parceria entre Embrapa e Geneplus reforça a integração entre pesquisa, inovação e setor produtivo, com impacto direto na qualidade genética, sustentabilidade e competitividade da cadeia da carne bovina no Brasil.