Diesel entra no radar do agro de MS com tensão no Oriente Médio

Produtores relatam alta de preço e dificuldade de abastecimento durante colheita da soja e plantio do milho safrinha

Por -Gabriela Porto

Foto: Aprosoja/MS

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O diesel se tornou uma preocupação central para os produtores de Mato Grosso do Sul devido a tensões internacionais que podem afetar seu abastecimento e preços. O combustível é crucial para o funcionamento das máquinas agrícolas, especialmente durante a colheita da soja e o plantio do milho de segunda safra. Dados da Aprosoja/MS mostram que a colheita da soja atingiu 63,3% da área estimada, enquanto o plantio do milho chegou a 65,7%. Produtores relatam dificuldades e aumentos significativos nos preços, levando a Aprosoja/MS a pedir mais transparência no mercado e monitoramento constante para evitar pressão de custos desnecessária. O objetivo é garantir que as atividades agrícolas não sejam interrompidas durante essa fase estratégica.

O diesel no agro de MS entrou de vez no radar do setor produtivo em um momento decisivo para o campo. A escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, passou a ser acompanhada com mais atenção pelos produtores de Mato Grosso do Sul. Isso ocorre sobretudo por causa dos possíveis reflexos sobre o abastecimento e o preço do combustível usado nas operações rurais. A orientação da Aprosoja/MS, no entanto, é de cautela diante do cenário. Além disso, há rejeição a movimentos especulativos que possam inflar artificialmente os preços.

A preocupação não surge por acaso. Em Mato Grosso do Sul, o diesel tem peso estratégico porque sustenta tanto o transporte rodoviário quanto o funcionamento das máquinas no campo. Agora, em plena colheita da soja e no avanço do plantio do milho de segunda safra, qualquer instabilidade no fornecimento ou salto no custo do combustível ganha efeito imediato sobre a rotina das propriedades. Além disso, impacta a logística do agro.

Apuração de dados da Aprosoja/MS

Segundo dados do projeto SIGA-MS, executado pela Aprosoja/MS, a colheita da soja chegou a 63,3% da área estimada de 4,8 milhões de hectares. Isso representa mais de 3 milhões de hectares colhidos até 6 de março. Apenas na primeira semana do mês, o avanço foi de cerca de 930 mil hectares, equivalente a 19,4%. Ao mesmo tempo, o plantio do milho safrinha alcançou 65,7% da área prevista, com 1,449 milhão de hectares semeados. O esforço, neste momento, é para manter o cultivo dentro da chamada janela ideal. Essa janela é considerada mais segura para o desenvolvimento da cultura.

É justamente nesse período de atividade intensa que o custo do diesel pesa mais. O combustível é indispensável para colheitadeiras, tratores e plantadeiras e também influencia diretamente o escoamento da produção e o transporte de insumos. Por isso, a entidade afirma que segue monitorando de forma permanente qualquer alteração no mercado internacional que possa repercutir no abastecimento estadual.

Impacto do Diesel no Setor Agrícola

Além do alerta institucional, produtores relataram dificuldade concreta para encontrar diesel em várias regiões e apontaram aumento expressivo de preços em poucos dias. Em Dourados, por exemplo, houve relato de salto de R$ 5,50 para R$ 6,80 por litro em uma semana. Em Sidrolândia, produtores mencionaram fornecimento interrompido por uma distribuidora e compras pontuais a R$ 6,68 por litro. Também houve menção a restrição de volume, falta do produto em distribuidoras e até paralisação de atividades em São Gabriel do Oeste por escassez de combustível.

O quadro fez a Aprosoja/MS defender mais transparência e responsabilidade no mercado. A entidade sustenta que aumentos desproporcionais, sem justificativa concreta na cadeia de abastecimento, podem agravar desnecessariamente o custo de produção. Por isso, pede acompanhamento mais próximo dos estoques mínimos obrigatórios nas distribuidoras e mais clareza na formação de preços.

No centro dessa discussão está um ponto sensível para o agro sul-mato-grossense: evitar que uma crise internacional se transforme internamente em pressão artificial sobre o custo do campo. A avaliação da entidade é de que o momento exige equilíbrio, monitoramento constante e reação técnica. Dessa forma, a colheita da soja e o plantio do milho safrinha podem seguir sem interrupções. Isso é fundamental justamente em uma das fases mais estratégicas do calendário agrícola do Estado.