Agronegócio brasileiro fatura US$ 169 bilhões em 2025 e inicia 2026 com incertezas

Mesmo com tarifas e desafios globais, setor registra crescimento de 3%; conflitos internacionais impactam logística e preços de insumos.

Por -Gabriela Porto

Foto: Divulgação

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Em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou um recorde de faturamento com exportações, totalizando 169 bilhões de dólares, um aumento de 3% em relação a 2024, impulsionado por um crescimento no volume exportado, apesar de uma leve queda nos preços médios. Os principais destinos das exportações são China, União Europeia e Estados Unidos, com destaque para produtos como carnes, celulose e soja.

No entanto, o início de 2026 traz incertezas devido a conflitos internacionais, impactos logísticos e planejamento de safra, enquanto o setor avícola se destaca nas parcerias com o Oriente Médio. O Brasil também se firmou como grande exportador de milho, especialmente para o Irã, mas os desafios no mercado global permanecem.

O agronegócio brasileiro bateu mais um recorde em faturamento com exportações em 2025, mesmo diante de tarifas impostas por importantes parceiros comerciais, como os Estados Unidos, terceiro maior destino dos produtos nacionais. Dados do Cepea, com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Siscomex, apontam que o Brasil faturou 169 bilhões de dólares, 3% acima do valor registrado em 2024.

O crescimento decorreu do aumento de 3,4% no volume de produtos exportados, enquanto o preço médio anual apresentou leve queda de 0,4%. Entre os produtos com maior escoamento destacam-se carnes bovina e suína, celulose, soja em grão, algodão e milho. Já os aumentos de preço ocorreram principalmente nas carnes, etanol, café e óleo de soja.

Principais destinos das exportações

Os produtos do agronegócio brasileiro continuam sendo destinados prioritariamente à China, União Europeia e Estados Unidos. A China permanece como maior compradora do complexo soja, enquanto a União Europeia absorve principalmente produtos florestais, café, frutas e suco de laranja. Os Estados Unidos recebem madeira, suco de laranja, etanol, café, frutas, celulose e carne bovina, consolidando a relevância desses mercados para a balança comercial do setor.

Incertezas para 2026

O início de 2026 traz um cenário de forte incerteza para produtores e exportadores. No Hemisfério Sul, produtores finalizam a colheita da safra de verão e iniciam a semeadura da nova safra, enquanto no Hemisfério Norte a atenção se volta ao planejamento do próximo ciclo produtivo, impactado pelo frio intenso em regiões estratégicas e pelo conflito em curso no Oriente Médio.

O conflito já provocou alta nos preços do petróleo e afetou a logística de transporte, incluindo o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 30% dos fertilizantes globais, principalmente de base nitrogenada. Empresas brasileiras de fertilizantes têm se mantido fora do mercado, aguardando definição do cenário internacional.

O Irã se destacou em 2025 como grande importador de milho brasileiro, recebendo nove milhões de toneladas, praticamente o dobro do volume exportado no ano anterior. No entanto, as exportações de milho tendem a se concentrar no segundo semestre, e os agentes seguem monitorando os impactos para os próximos meses.

Setor avícola mantém parcerias estratégicas

O Oriente Médio também é um parceiro importante para o setor de frango brasileiro. Em 2025, quase 25% das exportações de carne de frango foram destinadas à região, com os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita recebendo juntos mais de 877 mil toneladas, representando cerca de 12,6% do volume total exportado do país.

Perspectivas

Apesar do recorde de faturamento em 2025, o agronegócio brasileiro inicia 2026 em um contexto de incertezas, com desafios relacionados a conflitos internacionais, preços de insumos e logística global. O setor segue atento às condições do mercado e à evolução do cenário geopolítico, buscando estratégias para manter a produtividade e a competitividade das exportações.