Levantamento aponta que 20% das aves de Campo Grande são migratórias

Pesquisa revela a diversidade de aves na capital e destaca a importância das rotas migratórias para a cidade

Por -Gabriela Porto
Levantamento aponta que 20% das aves de Campo Grande são migratórias
Foto: Marreca-toicinho ave migratória. Imagem: Simone Mamede/Reprodução.
Resumo IA | MSConecta Tudo que você precisa saber — de forma rápida.
Ver agora

Campo Grande, que sediará a COP15 sobre conservação de espécies migratórias, é reconhecida por sua biodiversidade, abrigando cerca de 400 espécies de aves, das quais 20% são migratórias. As áreas verdes da cidade oferecem abrigo e alimentação para essas aves durante suas longas migrações. Especialistas destacam a importância de conservar esses espaços para manter a fauna local e o papel da arborização urbana na proteção das espécies. O evento reunirá governantes e especialistas para discutir estratégias globais para a conservação da fauna migratória.

Às vésperas da COP15, conferência internacional voltada à conservação das espécies migratórias que será realizada em Campo Grande, especialistas destacam a importância da cidade para a biodiversidade. Levantamentos apontam que a capital abriga cerca de 400 espécies de aves nas áreas urbana e periurbana, sendo aproximadamente 20% delas migratórias.

Atualmente, Campo Grande é reconhecida internacionalmente pela presença de áreas verdes, parques ecológicos, cursos d’água e vegetação que atravessa bairros inteiros. Essa combinação faz da cidade um verdadeiro refúgio para a fauna, especialmente para as aves, incluindo espécies migratórias que cruzam continentes e encontram na capital locais de descanso, alimentação e até reprodução.

Diversidade de aves na capital

A pesquisadora e educadora ambiental Maristela Benites, do Instituto Mamede de Pesquisa Ambiental e Ecoturismo, explica que a diversidade de aves na cidade chama a atenção de pesquisadores e observadores.

“Campo Grande tem aproximadamente 400 espécies de aves somente na área urbana e periurbana e podemos afirmar que cerca de 20% delas são migratórias”, afirma.

Para a educadora, a migração é um fenômeno natural que ocorre em várias partes do planeta e envolve deslocamentos periódicos realizados por diferentes espécies.

“A migração é um fenômeno natural e biológico que dirige o movimento populacional periódico e cíclico de várias espécies animais ao redor do mundo. Esse movimento ocorre entre áreas geograficamente separadas, isto é, entre uma área reprodutiva e uma área não reprodutiva, envolvendo a maioria ou a totalidade de uma população e resultando em uma ausência temporária e previsível no local de origem”, explica.

Espécies que passam pela cidade

Segundo a pesquisadora, diferentes espécies de aves migratórias passam por Campo Grande ao longo do ano, seguindo ciclos naturais de deslocamento em busca de alimento, clima favorável ou locais de reprodução.

Por isso, é possível observar aves migratórias na cidade em praticamente todos os meses, embora algumas espécies apareçam com maior frequência em determinados períodos.

As aves conhecidas como migrantes neárticas, que vêm da América do Norte para fugir do inverno rigoroso do hemisfério norte, costumam ser vistas com mais intensidade entre agosto e abril.

Entre elas estão espécies como maçaricos, sovi-do-norte, águia-pescadora e o falcão-peregrino, considerado o animal mais rápido do planeta, capaz de atingir cerca de 300 km/h.

Há também as chamadas migrantes austrais, que realizam deslocamentos dentro da própria América do Sul em busca de temperaturas mais amenas. Essas espécies costumam aparecer na região entre abril e novembro, como é o caso do príncipe e da calhandra-de-três-rabos.

Outro grupo importante é formado por aves que se reproduzem em Campo Grande e em outras regiões do sul e sudeste do Brasil e depois seguem em direção ao norte do continente, muitas vezes até a região amazônica.

Entre elas estão espécies como a tesourinha, o bem-te-vi-rajado e o suiriri, que costumam ser observadas na cidade entre o final de março e julho e/ou abril.

Importância das áreas verdes

Segundo Maristela, esses deslocamentos seguem ciclos naturais que se repetem todos os anos, já que muitas aves guardam memória dos locais onde encontram alimento, abrigo e condições adequadas para descansar durante suas longas jornadas.

Por isso, a preservação de áreas verdes, árvores e fontes de água é essencial para garantir que essas espécies continuem encontrando em Campo Grande um ponto seguro em suas rotas migratórias.

“Compreender o movimento das espécies migratórias é um bom exercício para entender que, para a natureza, não há fronteiras políticas. As limitações estão relacionadas às condições e aos recursos necessários para a sobrevivência e qualidade de vida”, destaca a pesquisadora.

Arborização urbana favorece biodiversidade

De acordo com a gerente de Arborização da Semades, Dayane Zanela, a arborização urbana e as áreas de preservação permanente desempenham papel estratégico na conservação das espécies migratórias.

“Árvores, parques e corredores verdes oferecem abrigo, locais de repouso, suporte alimentar e condições ambientais favoráveis para essas espécies durante seus deslocamentos”, explica.

Segundo ela, o fortalecimento da infraestrutura verde urbana também contribuiu para o reconhecimento de Campo Grande como Capital do Turismo de Observação de Aves.

O município vem estruturando políticas de arborização com planejamento técnico, ampliação das áreas verdes e valorização de espécies nativas, integrando a conservação da biodiversidade às estratégias de planejamento urbano e de adaptação às mudanças climáticas.

Campo Grande se prepara para a COP15

Esse cenário ganha ainda mais relevância no momento em que Campo Grande se prepara para sediar a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Selvagens, a COP15.

O evento da Organização das Nações Unidas será realizado entre os dias 23 e 29 de março de 2026 e deve reunir representantes de governos, cientistas, ambientalistas e organizações internacionais.

Durante a conferência serão discutidas estratégias para fortalecer a proteção das espécies migratórias em todo o planeta, incluindo temas como combate à captura ilegal de animais, criação de planos de conservação para espécies ameaçadas, proteção de corredores ecológicos e os impactos das mudanças climáticas sobre a fauna silvestre.

Para Maristela, sediar um evento desse porte representa um momento importante para Campo Grande e para Mato Grosso do Sul.

“É um momento histórico para o município e para o estado, pois coloca a cidade no centro das discussões sobre ciência e políticas ambientais, além de mostrar nossa biodiversidade, nossos biomas e mobilizar pesquisadores, estudantes e a sociedade em torno de um tema global”, afirma.

Durante a COP15, o Instituto Mamede também participará da programação científica do evento, coordenando uma mesa temática sobre observação de aves e aves migratórias, além de realizar o lançamento do livro “Aves do Caminho da Escola”, que aborda a relação entre educação ambiental e a observação das espécies presentes no cotidiano.


FONTE: PrefCG
Tags »
Notícias Relacionadas »