A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã representa um alerta para o agronegócio brasileiro, especialmente milho e soja, que compõem 87% das exportações brasileiras para o Irã. O comércio entre os países em 2025 foi de aproximadamente US$ 3 bilhões, com o Irã se destacando como um importador relevante, embora não seja o principal destino. Especialistas alertam que a instabilidade pode elevar preços de energia e afetar rotas de transporte, impactando custos de produção e embarques do agronegócio. Produtores de Mato Grosso do Sul, dependentes de contratos de exportação, devem monitorar o cenário global e diversificar mercados para mitigar riscos.
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a acender alertas no agronegócio brasileiro. Milho e soja, dois dos principais produtos de exportação do País, podem sofrer efeitos indiretos da instabilidade no Oriente Médio, em um cenário de mercados já voláteis.
Dados oficiais mostram que o Brasil exportou US$ 2,92 bilhões ao Irã em 2025, segundo o banco de dados de comércio da ONU, COMTRADE. Desse total, cerca de US$ 1,98 bilhão foram de cereais (como milho) e aproximadamente US$ 563,64 milhões foram de soja e oleaginosas. Esses produtos representaram mais de 87% das exportações brasileiras ao Irã naquele ano.
Embora o país persa responda por apenas 0,84% das exportações totais do Brasil, ele figura como um destino relevante para grãos, especialmente milho. No ranking de destinos brasileiros no Oriente Médio, o Irã aparece atrás de Emirados Árabes Unidos, Egito, Turquia e Arábia Saudita.
Especialistas em comércio internacional e agronegócio destacam que, mesmo com participação modesta no total exportado, o Irã pode influenciar variáveis importantes no mercado global:
Além disso, o Brasil também importou cerca de US$ 90,81 milhões em produtos do Irã em 2025, segundo dados do COMTRADE, com destaque para fertilizantes como ureia. Isso coloca parte da cadeia de insumos agrícolas sob risco de oscilação de oferta e preço caso a instabilidade se intensifique.
O agronegócio é um dos pilares da economia de Mato Grosso do Sul, com soja e milho como protagonistas na pauta de exportações. Embora exportadores do MS realizem vendas para vários mercados internacionais, a dependência de cotações externas e de logística competitiva torna a cadeia vulnerável a choques geopolíticos.
Produtores e cooperativas monitoram de perto os efeitos da guerra no Irã, não necessariamente por causa do volume direto de exportações para aquele país, mas pelas consequências que a instabilidade pode ter na formação de preços e nos contratos de exportação. Quando os mercados globais ficam mais incertos, existe o risco de redução nos embarques ou necessidade de renegociação de volumes e prazos, o que pode afetar a renda dos produtores sul‑mato‑grossenses.
Além disso, eventuais aumentos nos preços de fertilizantes podem elevar os custos de produção na região, um dos principais temas de preocupação das cadeias do milho e da soja no MS, que já lidam com preços de insumos em escalada nos últimos anos.
Os dados de comércio mostram que a pauta agrícola é responsável por grande parte do relacionamento comercial entre Brasil e Irã, com milho e soja concentrando a maior fatia das exportações brasileiras para aquele destino. A importância do Oriente Médio como bloco ainda é inferior aos principais parceiros comerciais brasileiros, como China e União Europeia, mas os efeitos de tensões geopolíticas tendem a se refletir em cotações internacionais e condições logísticas.
Em um cenário de mercados já instáveis, produtores, exportadores e agentes logísticos intensificam o monitoramento de dados de comércio exterior, cotações de preço e riscos geopolíticos para ajustar contratos e estratégias comerciais ao longo de 2026.