Colheita da soja avança em MS, mas produtividade varia de 35 a 109 sacas por hectare
Com 27% da área já colhida, Estado mantém estimativa de 15 milhões de toneladas, enquanto milho safrinha registra leve atraso no plantio.
Colheita da soja avança no sul de Mato Grosso do Sul, região que lidera os trabalhos nesta etapa da safra. - Foto: Aprosoja/MS
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A colheita da soja em Mato Grosso do Sul atingiu 27% da área plantada, com destaque para municípios do sul do Estado, onde a colheita já ultrapassa 50%. Apesar do avanço, a produtividade é desigual, variando de 35 a 109 sacas por hectare, influenciada pela estiagem e pelo momento do plantio. A expectativa de produção se mantém em torno de 15 milhões de toneladas, com ajustes possíveis à medida que a colheita avança. Simultaneamente, o plantio do milho safrinha começou com leve atraso, com áreas estimadas de aproximadamente 2,2 milhões de hectares.
A colheita da soja em Mato Grosso do Sul ganhou ritmo nas últimas semanas e já alcança 27% da área cultivada no ciclo 2025/2026, o equivalente a aproximadamente 1,3 milhão de hectares. O avanço semanal foi de 12 pontos percentuais, indicando aceleração dos trabalhos no campo.
De acordo com informações da Aprosoja-MS, a tendência é de intensificação das atividades até o fim de março, período considerado decisivo para consolidar os números da safra.
A região sul do Estado lidera a colheita, com municípios como Sete Quedas, Aral Moreira, Rio Brilhante e Amambai apresentando índices entre 50% e 60% das áreas já colhidas.
Produtividade oscila e reflete impacto da estiagemApesar do avanço consistente, os resultados no campo revelam forte contraste na produtividade. Há registros de lavouras com desempenho considerado excepcional, chegando a 109 sacas por hectare. Em contrapartida, algumas áreas produziram apenas 35 sacas por hectare.
Um dos exemplos de menor rendimento foi observado no município de Cidrolândia, onde a estiagem impactou diretamente o desenvolvimento das plantas.
Segundo avaliação técnica, a principal explicação para a disparidade está relacionada à época de plantio e às condições climáticas enfrentadas ao longo do ciclo. As áreas semeadas mais cedo conseguiram atravessar o período crítico antes da estiagem registrada em janeiro. Já as lavouras implantadas mais tardiamente sofreram com déficit hídrico justamente na fase de enchimento de grãos, etapa determinante para a definição da produtividade.
Estimativa de produção segue mantidaMesmo com a variação significativa entre propriedades e regiões, a estimativa inicial de produção de soja em Mato Grosso do Sul permanece em torno de 15 milhões de toneladas.
O volume projetado, no entanto, poderá passar por ajustes nas próximas semanas, à medida que a colheita avance e os dados se consolidem. Técnicos acompanham o desempenho das áreas ainda em maturação para avaliar se o impacto climático terá reflexo mais amplo no resultado final.
A heterogeneidade da safra reforça o cenário de contraste: enquanto alguns produtores comemoram números acima da média histórica, outros enfrentam redução de margem diante da queda no rendimento por hectare.
Milho safrinha começa com leve atrasoParalelamente à retirada da soja do campo, os produtores dão início ao plantio do milho segunda safra, conhecido como milho safrinha. Neste ciclo, o ritmo está cerca de 4% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.
A área estimada para o cereal é de aproximadamente 2,2 milhões de hectares. A expectativa média é de 84 sacas por hectare, o que pode resultar em produção próxima de 11 milhões de toneladas, caso as condições climáticas sejam favoráveis.
O calendário é fator decisivo para o desempenho do milho. Parte dos produtores que ultrapassar a janela considerada ideal de plantio poderá optar por culturas alternativas, como o sorgo, estratégia utilizada para reduzir riscos em cenários de atraso.
Clima e janela definem próximos passosO comportamento do clima nas próximas semanas será determinante tanto para o fechamento da safra de soja quanto para o desenvolvimento inicial do milho safrinha.
Se, por um lado, a soja apresenta desempenho satisfatório em áreas plantadas no início do ciclo, por outro, a irregularidade das chuvas evidenciou a importância do planejamento e da gestão de risco nas propriedades.
Com quase um terço da área já colhida, Mato Grosso do Sul caminha para consolidar mais um ciclo relevante para o agronegócio estadual, ainda que marcado por contrastes significativos de produtividade entre regiões e propriedades.