Em janeiro de 2026, Mato Grosso do Sul registrou quase 50 mil hectares de vegetação queimados, o pior índice em uma década, agravado pela irregularidade das chuvas que caiu 30% em relação ao esperado. A estiagem já impacta a agricultura, especialmente nas lavouras de soja, e pode levar a restrições no uso da água em bacias essenciais. Projeções apontam um segundo semestre desafiador, com aumento de temperaturas devido ao El Niño, exigindo planejamento e ações integradas entre governo e sociedade para mitigar danos ambientais e econômicos.
O início de 2026 já coloca Mato Grosso do Sul em alerta máximo para incêndios florestais. Apenas nos primeiros 27 dias de janeiro, quase 50 mil hectares de vegetação foram destruídos pelo fogo, configurando o pior janeiro dos últimos 10 anos no Estado.
O levantamento foi apresentado pelo Cemtec durante reunião do Centro Integrado de Comando e Controle Estadual, responsável por articular estratégias de enfrentamento aos incêndios em todo o estado.
O dado preocupa especialmente por ocorrer em um mês que, historicamente, integra o período chuvoso. A área queimada em janeiro de 2026 supera com folga os registros do ano passado e estabelece um novo recorde negativo para o período.
Mesmo em 2020, ano marcado por uma catástrofe ambiental sem precedentes no Estado, o volume de áreas atingidas pelo fogo em janeiro foi significativamente menor.
A explicação para o avanço dos incêndios está na irregularidade das chuvas. Em janeiro, o Estado registrou, em média, 30% menos precipitação do que o esperado, com regiões onde praticamente não houve chuva ao longo do mês.
No Pantanal, áreas monitoradas apresentaram índices extremos de déficit hídrico. Em outras regiões, como o Bolsão, a situação foi semelhante, contribuindo para o ressecamento da vegetação e a rápida propagação do fogo.
A estiagem já impacta a produção agrícola. Em regiões onde o plantio da soja foi realizado fora do período ideal, as lavouras enfrentam dificuldades justamente na fase de enchimento dos grãos, o que pode comprometer a produtividade.
Produtores que conseguiram plantar no início do período chuvoso tiveram melhores condições, mas o cenário é de preocupação generalizada em áreas mais afetadas pela falta de chuva.
Com a persistência da estiagem, cresce a possibilidade de restrições no uso da água em bacias estratégicas, como a do Rio Paraná. Medidas podem ser adotadas para preservar os níveis dos reservatórios, evitando impactos mais severos na geração de energia e em atividades econômicas dependentes da água.
As projeções indicam que o segundo semestre pode ser ainda mais desafiador. A partir de junho, a influência do El Niño tende a elevar as temperaturas em um período tradicionalmente seco, criando condições favoráveis à ocorrência de incêndios de grandes proporções.
Esse cenário exige planejamento antecipado e reforço nas ações de prevenção antes do período crítico.
Diante da gravidade dos dados e das previsões climáticas, autoridades defendem a união de esforços entre governos estadual e federal, setor produtivo e sociedade civil. O objetivo é reduzir riscos, ampliar a capacidade de resposta e evitar prejuízos ambientais e econômicos ainda maiores.
A avaliação técnica é de que o ano se apresenta desfavorável desde o início, tornando essencial a adoção de medidas emergenciais para enfrentar um dos períodos mais críticos já registrados em Mato Grosso do Sul.