Peixes transgênicos apreendidos passam a integrar acervo educativo do Bioparque Pantanal

Espécie modificada geneticamente, proibida no Brasil, é usada para conscientização sobre biossegurança, fiscalização ambiental e riscos à biodiversidade.

- Gabriela Porto
09/01/2026 10h40 - Atualizado há 1 mês
Peixes transgênicos apreendidos passam a integrar acervo educativo do Bioparque Pantanal
Tetra-monja (Gymnocorymbus ternetzi) — Foto: Bioparque Pantanal/ Divulgação
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O Bioparque Pantanal, em Campo Grande, recebeu 18 peixes tetra-monja geneticamente modificados para emitir fluorescência, apreendidos devido à proibição de comercialização de transgênicos no Brasil. A modificação genética gera preocupações ambientais e é punida com multas severas, além de ser considerada uma infração gravíssima se liberada no ambiente natural. Como os peixes não podem retornar ao habitat, eles agora desempenham uma função educativa no bioparque, abordando temas como engenharia genética e conservação da biodiversidade, enquanto estimulam a conscientização sobre a relação entre tecnologia e meio ambiente.

O Bioparque Pantanal, em Campo Grande, passou a abrigar um grupo incomum de peixes que desperta a curiosidade do público e levanta debates científicos relevantes. Trata-se de 18 exemplares de tetra-monja (Gymnocorymbus ternetzi), espécie pantaneira também conhecida como tetra-negro, que foi geneticamente modificada para emitir fluorescência sob luz ultravioleta.

Os peixes foram apreendidos pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) em junho de 2025, durante fiscalização em uma loja de aquarismo da Capital. No Brasil, a importação, manutenção e comercialização de peixes transgênicos são proibidas, por não possuírem autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Modificação genética e restrições legais

A fluorescência apresentada pelos peixes é resultado da inserção de genes de organismos marinhos, como águas-vivas e anêmonas, técnica comum em mercados internacionais de aquarismo ornamental. Embora visualmente chamativa, a prática é vetada no país por não haver avaliação de risco ambiental aprovada pelos órgãos reguladores.

A legislação brasileira considera a comercialização desses animais uma infração grave, com multas que variam entre R$ 60 mil e R$ 500 mil. Já a liberação no ambiente natural é classificada como infração gravíssima, com penalidades que podem chegar a R$ 1,5 milhão, devido ao potencial impacto sobre os ecossistemas.

Risco ambiental e fiscalização

Especialistas alertam que a introdução de organismos geneticamente modificados (OGMs) na natureza pode gerar desequilíbrios ambientais, uma vez que os efeitos dessas alterações sobre cadeias alimentares, reprodução e competição entre espécies ainda não são totalmente conhecidos.

O caso reforça a importância da fiscalização ambiental contínua, especialmente em um estado com grande diversidade biológica como Mato Grosso do Sul, onde espécies nativas desempenham papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos.

Função educativa no Bioparque Pantanal

Sem possibilidade de retorno ao ambiente natural, os tetra-monja receberam no Bioparque Pantanal um espaço adequado, com manejo técnico especializado e acompanhamento permanente. No local, os animais passam a cumprir uma função educativa, contribuindo para ações de educação ambiental e divulgação científica.

A presença dos peixes permite abordar temas como engenharia genética, biossegurança, limites da biotecnologia e conservação da biodiversidade, aproximando a ciência do público e estimulando reflexões sobre responsabilidade ambiental.

Maior aquário de água doce do mundo, o Bioparque Pantanal amplia, assim, seu papel como espaço de conhecimento, pesquisa e conscientização, transformando uma apreensão ambiental em ferramenta de aprendizado sobre os desafios da relação entre tecnologia, natureza e legislação.


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