Chuva isolada forma imagem rara a mais de mil metros de altitude no Pantanal

Sistema de monitoramento registrou precipitação pontual na Serra do Amolar, em Corumbá, durante período de estiagem no bioma.

Por -Gabriela Porto
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Uma chuva isolada e rara foi registrada na Serra do Amolar, Pantanal sul-mato-grossense, em plena estiagem, captada pelo sistema Pantera do Instituto Homem Pantaneiro. Desde o final de dezembro, a região não via chuvas significativas, enquanto áreas adjacentes permaneciam secas. As chuvas recentes no Mato Grosso são essenciais para o equilíbrio hídrico do Pantanal, porém os níveis dos rios continuam abaixo do esperado, com o rio Paraguai medindo 0,77 metro em Ladário. A Serra do Amolar tem um papel crucial na dinâmica climática e hidrológica do bioma.

Uma imagem rara e impactante de chuva isolada foi registrada na tarde de quarta-feira (7) na região da Serra do Amolar, no Pantanal sul-mato-grossense. O fenômeno ocorreu em plena estiagem e foi captado pelo sistema Pantera, equipamento de monitoramento ambiental instalado pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP) no topo de uma montanha a mais de mil metros de altitude.

O registro foi feito por câmeras utilizadas no monitoramento e na prevenção de incêndios florestais e mostra a formação concentrada de nuvens e a ocorrência de precipitação em pontos específicos do Pantanal, enquanto extensas áreas ao redor permaneciam secas. O sistema Pantera opera de forma contínua, permitindo a observação em tempo real de mudanças climáticas, focos de calor e eventos ambientais incomuns.

Segundo dados do IHP, desde 30 de dezembro não havia registros de chuvas significativas na Serra do Amolar. Naquela data, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Acurizal contabilizou 29 milímetros de precipitação. Após esse episódio, embora tenha chovido em outras regiões de Mato Grosso do Sul, inclusive em Campo Grande, a área da serra permaneceu sem chuva até o novo registro desta semana.

As chuvas mais recentes, concentradas principalmente nas regiões de Cuiabá e Cáceres, no Mato Grosso, são consideradas importantes para o equilíbrio hídrico do Pantanal e podem contribuir para um possível período de cheia, ainda que de forma gradual. No entanto, os níveis dos rios seguem abaixo do esperado.

Atualmente, o rio Paraguai está com 0,77 metro em Ladário, conforme a última medição. O nível é inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando atingia 1,17 metro, e se aproxima dos índices observados durante a seca extrema de 2024, quando marcou 0,45 metro. A estação de Ladário é utilizada como principal referência para indicar tendências de estiagem ou cheia no Pantanal.

Dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec) apontam que os maiores volumes de chuva acumulados nas últimas 24 horas no Estado foram registrados em Campo Grande (29,8 mm), Jardim (20,8 mm), Figueirão (19,4 mm), Maracaju (10,8 mm) e na região da Nhecolândia, em Corumbá (10,4 mm). Também houve precipitações em Dois Irmãos do Buriti (8 mm) e Corguinho (7 mm).

Em relação à umidade relativa do ar, a Serra do Amolar apresentou os maiores índices do Estado nas últimas 24 horas, com 38%. Porto Murtinho registrou a menor taxa, com 22%, enquanto Corumbá ficou em 36%. Os dados são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e da Semadesc.

A Serra do Amolar é uma das áreas mais preservadas do Pantanal e exerce papel fundamental na dinâmica climática e hidrológica do bioma. 


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