Empresas de grande porte se preparam para reforma tributária

Pesquisa revela que enquanto grandes empresas avançam na adaptação, PMEs ainda estão atrasadas no processo de preparação para a transição tributária

- Gabriela Porto
07/01/2026 16h25 - Atualizado há 2 meses
Empresas de grande porte se preparam para reforma tributária
Foto: Divulgação.
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A pesquisa "Panorama do Contas a Pagar 2026", da Qive, revela que 40% das empresas não iniciaram a análise dos impactos da reforma tributária, mesmo com sua iminência. Apenas 38% começaram a se adaptar, especialmente as grandes empresas, que estão mais avançadas nesse processo. Em contrapartida, 60% das pequenas e médias empresas (PMEs) ainda não tomaram medidas, o que pode resultar em custos altos e necessidade de apoio externo. Erika Daguani, da Qive, destaca a importância do planejamento para transformar a reforma em vantagem competitiva.

O Panorama do Contas a Pagar 2026, pesquisa realizada pela plataforma de gestão de pagamentos Qive, revela que, embora a maioria das empresas esteja ciente da reforma tributária, 40% ainda não começaram a identificar os impactos dessa mudança. Mesmo com o adiamento de sua implementação, a transição para a nova legislação exige uma revisão estrutural dos processos internos das empresas, o que coloca as empresas em diferentes estágios de preparação.

De acordo com a pesquisa, apenas 38% das empresas começaram efetivamente a mapear os efeitos da reforma tributária, enquanto 62% ainda não tomaram nenhuma medida para se adequar às mudanças que se aproximam. A falta de preparação pode representar um grande desafio, principalmente para as empresas menores, que poderão enfrentar custos elevados e dependência de apoio externo nos primeiros anos da transição.

Erika Daguani, CPO da Qive, destaca a importância de se antecipar:

“A transição exigirá a revisão estrutural de processos e sistemas, e não apenas adequações pontuais. As companhias que iniciarem este processo mais cedo terão mais capacidade de transformar a obrigação em vantagem competitiva”, afirma.

As grandes empresas estão na frente

Enquanto muitas empresas ainda estão em estágio inicial de preparação, as empresas de grande porte são as que mais avançaram no processo de adaptação à reforma tributária. De acordo com os dados da pesquisa, 85% dessas empresas já estão acompanhando notas técnicas e propostas da reforma, o que mostra uma postura proativa na busca por atualizações e informações sobre os novos regulamentos.

Além disso, 75% das grandes empresas estão revisando seus processos e sistemas de gestão (ERPs) para garantir que a nova legislação seja adequadamente aplicada. Outro dado importante é que 70% das empresas de grande porte realizam simulações de cenários, antecipando os efeitos da reforma sobre suas operações e ajustando seus modelos de negócios conforme necessário.

As PMEs estão mais atrasadas na adaptação

Por outro lado, as pequenas e médias empresas (PMEs) ainda apresentam grande atraso no processo de adaptação à reforma tributária. De acordo com a pesquisa da Qive, 60% das PMEs ainda não iniciaram nenhuma ação preparatória. Esse cenário pode colocar essas empresas em uma posição vulnerável, já que a falta de planejamento e adequação aos novos tributos pode resultar em custos elevados, processos ineficazes e necessidade de suporte externo especializado nos primeiros anos de transição.

Esse atraso pode ser um grande obstáculo para o crescimento das PMEs, que, ao contrário das grandes empresas, não possuem o mesmo nível de recursos e estrutura para implementar rapidamente as mudanças necessárias. Além disso, essas empresas podem enfrentar desafios relacionados à falta de acesso a informações específicas, o que pode agravar ainda mais a dificuldade de adaptação.

Desafios para as PMEs e a importância do planejamento

As PMEs precisam, portanto, começar o quanto antes a se preparar para a reforma tributária, que é uma mudança que vai impactar não apenas o pagamento de tributos, mas também processos internos, sistemas e até a forma de negociação com fornecedores e clientes. A falta de planejamento pode resultar em um quadro de custos elevados e uma dependência maior de consultorias externas, o que pode ser um obstáculo para empresas com margens financeiras mais apertadas.

Para que as PMEs possam competir de maneira justa no novo cenário tributário, é essencial que comecem o planejamento estratégico e a revisão de seus processos internos o quanto antes. Empresas que se adaptarem de maneira eficaz à reforma poderão, inclusive, transformar os desafios em oportunidades de eficiência operacional e melhora nos resultados financeiros.


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