Ferrugem asiática da soja avança pelo Brasil; MS registra seis casos e alerta produtores

Fungos se espalham rapidamente em condições favoráveis; Paraná concentra maior número de casos, enquanto Mato Grosso do Sul já contabiliza seis registros

Por -Gabriela Porto

Foto: Divulgação

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A ferrugem asiática da soja já registra 51 ocorrências no Brasil, com o Paraná liderando com 40 casos. O fungo, que requer tecido vivo para sobreviver, se propaga mais rapidamente em regiões com cultivo contínuo de soja, como na fronteira com o Paraguai. Fatores como clima favorável e soja voluntária podem elevar as perdas de produção a até 70%. Produtores são aconselhados a monitorar as lavouras e realizar aplicações preventivas de fungicidas para evitar a disseminação da doença.

A ferrugem asiática da soja já contabiliza 51 ocorrências confirmadas no Brasil, segundo dados do Consórcio Antiferrugem, e mantém produtores em alerta. O Paraná concentra a maior parte dos registros, com 40 casos espalhados por dezenas de municípios, incluindo situações em soja voluntária, que aumentam o risco de disseminação do fungo.

O estado de Mato Grosso do Sul registra seis ocorrências, enquanto São Paulo soma três registros. Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentam uma ocorrência cada, confirmando que o patógeno já se encontra ativo em diversas regiões produtoras do país.

De acordo com a pesquisadora Ana Ruschel, da Fundação MS, a ferrugem asiática é causada por um fungo biotrófico, que precisa de tecido vivo do hospedeiro para sobreviver durante a entressafra. O patógeno permanece ativo em soja tiguera ou em plantas hospedeiras alternativas, que garantem a sobrevivência do inóculo até o início da próxima safra.

Em regiões de fronteira, como Sete Quedas (MS), a epidemia tende a se manifestar mais cedo devido ao cultivo contínuo de soja no Paraguai, permitindo que esporos transportados pelo vento antecipem a disseminação da doença no estado.

A especialista explica que o fungo encontra condições ideais de desenvolvimento com temperaturas entre 18°C e 26°C, alta umidade relativa do ar e molhamento foliar de seis a oito horas, incluindo o causado por orvalho. Quando os sintomas aparecem, a doença evolui rapidamente, podendo provocar desfolha precoce e reduzir significativamente a produtividade.

Segundo a Fundação MS, falhas no manejo, clima favorável e presença de soja voluntária podem acelerar a epidemia, levando a perdas de até 70% da produção em casos de infestação intensa e sem controle adequado.

Produtores são orientados a manter monitoramento constante, realizar aplicações preventivas de fungicidas quando necessário, e adotar práticas que reduzam a presença de plantas voluntárias, garantindo assim maior proteção das lavouras.