Jovens transformam a macaúba em renda e autonomia para mulheres do campo em Nova Andradina

Projeto desenvolvido no Programa Jovem Sucessor Rural, do Senar/MS, valoriza fruto do Cerrado, gera conhecimento técnico e fortalece a agricultura familiar

Por -Gabriela Porto

Foto: Divulgação

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A macaúba, fruto típico do Cerrado, se tornou um catalisador de transformação social e econômica na zona rural de Nova Andradina, graças ao projeto do Programa Jovem Sucessor Rural do Senar/MS. Universitários e a Associação de Mulheres Produtoras do Assentamento Santa Olga uniram esforços para explorar o potencial do fruto, que é rico em nutrientes e pode ser utilizado integralmente. Essa parceria resultou na produção de alimentos artesanais e abriu novos mercados, promovendo a autonomia das mulheres envolvidas. O projeto deseja se expandir, transformando-se em uma startup e disseminando a macaúba em todo o Brasil. A iniciativa ilustra como o Senar/MS conecta juventude e comunidades rurais para impulsionar mudanças e oportunidades no campo.

Na zona rural de Nova Andradina, a macaúba deixou de ser apenas um fruto típico do Cerrado para se tornar instrumento de transformação social, geração de renda e fortalecimento feminino no campo. A mudança veio a partir de um projeto desenvolvido no Programa Jovem Sucessor Rural, do Senar/MS, que conectou universitários, conhecimento técnico e a realidade produtiva da Associação de Mulheres Produtoras do Assentamento Santa Olga.

A iniciativa nasceu a partir da atuação do grupo Guardiões do Cerrado, formado por jovens universitários que, mesmo fora das ciências agrárias, já mantinham vínculo com o meio rural por meio de ações da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, como o Programa de Capacitação em Empreendedorismo Rural (PCER). Convidados pelo Sindicato Rural de Nova Andradina, eles ingressaram no Jovem Sucessor Rural e, ao longo das capacitações, desenvolveram um projeto que conquistou o terceiro lugar no programa.

Durante a formação, os jovens identificaram na macaúba um potencial ainda pouco explorado. Rico em nutrientes, livre de glúten e com aproveitamento integral — da casca à amêndoa — o fruto mostrou-se capaz de unir sustentabilidade, saúde e geração de renda, ganhando destaque como o chamado “ouro do Cerrado”.

A partir dessa descoberta, o grupo decidiu direcionar o conhecimento adquirido para quem já produz no campo. A parceria com a Associação de Mulheres Produtoras do Assentamento Santa Olga fortaleceu uma relação já existente e abriu novas possibilidades. A macaúba passou a ser incorporada à produção de pães, bolos, doces e outros produtos artesanais, agregando valor, ampliando a diversificação e abrindo caminhos para novos mercados, como a merenda escolar.

O projeto também promoveu a troca de experiências com outras regiões do Estado. As mulheres do assentamento participaram de um dia de campo com uma produtora de Aquidauana que já possui agroindústria voltada à macaúba, ampliando o acesso a técnicas, manejo e possibilidades de beneficiamento do fruto.

Para a associação, o impacto foi imediato. Ideias que estavam paradas ganharam novo fôlego, a produção foi enriquecida e o conhecimento compartilhado fortaleceu a autonomia e a confiança das mulheres envolvidas. A iniciativa passou a representar não apenas uma alternativa produtiva, mas uma perspectiva concreta de independência financeira e fortalecimento coletivo.

Agora, os Guardiões do Cerrado planejam expandir o alcance da iniciativa. O objetivo é transformar o projeto Macavida em uma startup, difundir o uso da macaúba em diferentes regiões do país e posicionar o Cerrado como referência em inovação, sustentabilidade e geração de oportunidades no campo.

A experiência mostra como o Senar/MS, ao aproximar juventude, conhecimento e comunidades rurais, contribui para transformar realidades e semear futuros que já começam a dar frutos.

Jovem Sucessor Rural

O Programa Jovem Sucessor Rural, do Senar/MS, prepara novas gerações para a liderança no campo, com foco em sucessão familiar, inovação, empreendedorismo, responsabilidade social e gestão no agronegócio. Gratuito e realizado em parceria com sindicatos rurais, o programa tem duração de até nove meses e combina aulas teóricas, oficinas práticas, visitas técnicas e desenvolvimento de projetos voltados a soluções reais para o meio rural.