Agro de MS cresce 18% em 2025 e consolida posição estratégica no Brasil
Crescimento do VBP, avanço das cadeias produtivas, reconhecimento sanitário internacional e novos investimentos logísticos marcam o desempenho do setor em 2025
Foto: Divulgação
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Mato Grosso do Sul destacou-se em 2025 no agronegócio brasileiro, com uma safra recorde de 28 milhões de toneladas de soja e milho e um crescimento de 18% no Valor Bruto da Produção. O estado atraiu novos investimentos e manteve uma forte performance nas proteínas animais, além de ampliação das exportações, que chegou a US$ 9,2 bilhões. A infraestrutura também avançou com projetos significativos, como a concessão da BR-163/MS e a Rota da Celulose. A conquista do status de área livre de febre aftosa sem vacinação e a implementação do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais reforçam a competitividade e sustentabilidade do setor.
Mato Grosso do Sul encerra 2025 como um dos estados que mais avançaram no agronegócio brasileiro, impulsionado por uma safra recorde de 28 milhões de toneladas de soja e milho, crescimento de 18% no Valor Bruto da Produção (VBP) e conquistas sanitárias que ampliaram o acesso a mercados internacionais. O desempenho, aliado a investimentos em logística e à expansão de novas cadeias produtivas, consolidou o estado como referência nacional em produtividade, sustentabilidade e competitividade.
Além do crescimento expressivo em produção e exportações, o estado atraiu novos investimentos industriais ao longo do ano, fortalecendo seu papel estratégico no agronegócio brasileiro e abrindo espaço para novas fronteiras produtivas.
A atuação integrada entre Famasul, Senar/MS, CNA, Governo do Estado e órgãos federais resultou em avanços estruturantes que fortaleceram as cadeias produtivas e ampliaram a competitividade de Mato Grosso do Sul nos cenários nacional e internacional.
Produção e produtividade em alta
A safra 2024/25 registrou crescimento expressivo. Somadas, soja e milho alcançaram 28 milhões de toneladas, aumento de 35% em relação ao ciclo anterior, o que garantiu ao estado o 5º lugar no ranking nacional. A produtividade do milho foi o principal destaque, com avanço de 62% frente à safra 2023/24, marcada por forte quebra e produção de apenas 8,4 milhões de toneladas.
Esse movimento foi impulsionado pela expansão das indústrias de etanol de milho. Na safra atual, Mato Grosso do Sul produziu 1,58 bilhão de litros do biocombustível, crescimento de 58%, estimulando diretamente a demanda por grãos.
Outras cadeias produtivas também ganharam força. A citricultura avançou com projeção de 30 mil hectares de laranja, enquanto o amendoim manteve ritmo acelerado, com área plantada de 43,5 mil hectares e produção estimada em 173,7 mil toneladas.
O setor de florestas plantadas seguiu em expansão. A área de eucalipto superou 1,89 milhão de hectares, impulsionada pela expectativa de instalação de duas novas plantas industriais, em Inocência e Bataguassu, que devem ampliar a demanda por madeira nos próximos anos.
A adoção de práticas regenerativas e de manejo sustentável se intensificou ao longo de 2025, com a ampliação de sistemas integrados, rotação de culturas, manejo conservacionista do solo e estratégias de mitigação climática, consolidando uma agricultura mais resiliente e alinhada às exigências internacionais.
“Os produtores sul-mato-grossenses demonstraram mais uma vez sua capacidade de adaptação, investindo em tecnologias que elevam a produtividade e preservam o meio ambiente. Esse equilíbrio é a base do crescimento sustentável do nosso estado”, afirma Tamiris Azoia, coordenadora do departamento técnico da Famasul.
Proteínas animais mantêm crescimento
O setor de proteínas animais apresentou desempenho positivo. O abate de bovinos cresceu 4%, totalizando 4,1 milhões de cabeças. A suinocultura alcançou 3,5 milhões de animais abatidos, também com alta de 4%, enquanto a avicultura manteve estabilidade, com 186,2 milhões de aves abatidas, crescimento de 0,3%.
O Valor Bruto da Produção do agronegócio alcançou aproximadamente R$ 84 bilhões, impulsionado pela combinação entre bom desempenho produtivo e valorização dos preços da maioria dos produtos. O PIB de Mato Grosso do Sul deve encerrar o ano com crescimento de 6,8%, superando R$ 227 bilhões.
Exportações e competitividade em alta
As exportações do agronegócio sul-mato-grossense cresceram 4% entre janeiro e novembro, com faturamento de US$ 9,2 bilhões. A celulose liderou as vendas externas, representando 31% da receita, com US$ 2,84 bilhões, alta de 20% em relação a 2024.
Na sequência aparecem a soja em grãos, com US$ 2,33 bilhões, equivalente a 25% do total exportado, e a carne bovina, que registrou crescimento de 51% e alcançou US$ 1,70 bilhão em vendas, consolidando a força do setor no comércio exterior.
Infraestrutura e logística avançam
O ano também foi marcado por avanços em infraestrutura e logística. A retomada do contrato de concessão da BR-163/MS, agora sob gestão da Motiva, prevê investimentos de R$ 16,6 bilhões ao longo de 29 anos, com duplicações, faixas adicionais, viadutos e áreas de descanso.
Outro projeto estratégico é a Rota da Celulose, que abrange cerca de 870 quilômetros de rodovias federais e estaduais, com investimentos estimados em R$ 10 bilhões, conectando regiões produtoras aos corredores de exportação.
A confirmação do leilão da Hidrovia do Rio Paraguai para 2026 representa mais um passo na redução de custos logísticos, enquanto melhorias em aeroportos regionais ampliam o escoamento de cargas de maior valor agregado.
Citricultura ganha novo impulso no estado
A partir de 2024, com desdobramentos mais significativos em 2025, Mato Grosso do Sul avançou em políticas públicas para consolidar a citricultura como nova fronteira produtiva. Com mais de 15 mil hectares em produção e cerca de 7 milhões de mudas implantadas, o setor segue em rápida expansão, com projeção de mais de 40 mil hectares adicionais nos próximos anos.
A Lei Estadual nº 6.293/2024 instituiu rigoroso controle fitossanitário ao proibir o plantio de murta, hospedeira do psilídeo transmissor do greening, determinando sua erradicação e monitoramento. A medida foi reforçada em âmbito municipal, com Ribas do Rio Pardo e Campo Grande aprovando legislações específicas para fiscalização e controle da praga.
Além das ações legais, o setor passou a contar com apoio financeiro por meio de linha específica do FCO, que disponibiliza até R$ 20 milhões por ano para implantação e manutenção de pomares, com limite de 500 hectares por projeto.
Reconhecimento sanitário amplia mercados
Em maio, o Brasil conquistou o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, conferido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), em um reconhecimento histórico no qual a Famasul teve papel decisivo por meio de atuação técnica no Comitê Gestor do PNEFA.
O estado manteve elevado padrão sanitário em outras cadeias, permanecendo livre de Influenza Aviária, Doença de Newcastle, Peste Suína Africana e Peste Suína Clássica. “Esse reconhecimento internacional reforça a credibilidade da pecuária de Mato Grosso do Sul e abre novas portas no mercado global. É um marco coletivo, construído por produtores, entidades e instituições públicas”, afirma Marcelo Bertoni, presidente da Famasul.
PSA e segurança jurídica no Pantanal
A implementação do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Bioma Pantanal foi um dos principais avanços ambientais de 2025. A iniciativa remunera produtores pela conservação da vegetação nativa além do exigido por lei, por meio do Fundo Clima Pantanal, com operacionalização da Funar, vinculada à Famasul.
O programa prevê pagamentos de R$ 55,47 por hectare ao ano, com limite de R$ 100 mil por propriedade. No primeiro edital, 59 propriedades foram contempladas, totalizando cerca de R$ 30 milhões em investimentos voltados à proteção do bioma e ao reconhecimento de práticas produtivas sustentáveis.
No mesmo período, a promulgação da Lei do Pantanal garantiu maior segurança jurídica, respeitou as particularidades da região e valorizou práticas sustentáveis adotadas há décadas pelos produtores rurais, fortalecendo um ambiente mais competitivo e sustentável para o agronegócio de Mato Grosso do Sul.
Para 2026, a Famasul e o Senar/MS seguem ao lado do produtor rural, com foco na capacitação, na defesa sanitária e na construção de um ambiente cada vez mais competitivo, sustentável e seguro para quem produz no estado.