MS lidera recuperação de pastagens e vira referência nacional em agropecuária sustentável
Estado aposta em políticas públicas, crédito verde e inovação para recuperar áreas degradadas e impulsionar a pecuária de baixo carbono
Foto: João Carlos Castro/Famasul
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Mato Grosso do Sul se destaca na recuperação de pastagens degradadas e na agropecuária sustentável, com 4,7 milhões de hectares passíveis de recuperação. O governo implementa políticas públicas que incentivam a tecnologia e manejo responsável, visando aumentar a produção com responsabilidade ambiental. Os principais programas incluem o Prosolo e o MS Irriga, que promovem conservação do solo e uso eficiente da água. O Estado lidera iniciativas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta e investe em certificação de carbono para atender exigências internacionais.
Mato Grosso do Sul tem se consolidado como referência nacional na recuperação de pastagens degradadas e na transição para uma agropecuária mais sustentável. Com cerca de 4,7 milhões de hectares passíveis de recuperação, o Estado transformou um desafio histórico do setor em uma estratégia central para garantir competitividade, sustentabilidade ambiental e segurança alimentar.
A iniciativa é conduzida pelo Governo do Estado por meio de um conjunto de políticas públicas que integram manejo responsável do solo e da água, incentivo ao uso de tecnologia e acesso a crédito sustentável. Segundo o secretário Jaime Verruck, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o modelo adotado em Mato Grosso do Sul demonstra que é possível ampliar a produção sem abrir mão da responsabilidade ambiental.
“Estamos mostrando ao Brasil que é possível produzir mais, com tecnologia e responsabilidade ambiental”, afirmou.
Degradação histórica e resposta estruturada
Dados de instituições como LAPIG e MapBiomas indicam que Mato Grosso do Sul está entre os estados com maior extensão de áreas classificadas com baixo vigor de pastagens. Parte dessas áreas está localizada no Pantanal, onde a presença de vegetação nativa e a dinâmica natural do bioma não caracterizam degradação causada por ação humana — informação considerada fundamental para orientar políticas públicas e evitar distorções.
Segundo o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD), a degradação observada no Estado é resultado, principalmente, de práticas antigas da pecuária extensiva, com baixa taxa de lotação, manejo limitado e pouca adubação. O desgaste do solo e a queda na produtividade exigiram uma resposta estrutural, que hoje se consolida como política permanente.
Programas estruturantes
O avanço de Mato Grosso do Sul na agropecuária sustentável é sustentado por uma série de programas estaduais, entre eles:
- Prosolo: voltado à recuperação de áreas afetadas por erosão, com práticas conservacionistas e melhoria da fertilidade do solo;
- MS Irriga: incentivo à irrigação sustentável e ao uso racional da água;
- Plano ABC+ MS: promoção de sistemas integrados como ILPF, plantio direto, bioinsumos e manejo de resíduos;
- Precoce MS: estímulo à pecuária eficiente e de baixa emissão de carbono;
- FCO Verde: linha de crédito para projetos sustentáveis — entre 2020 e 2024, foram destinados R$ 812 milhões a 771 projetos;
- PSA: Pagamento por Serviços Ambientais, que remunera produtores que conservam solo e recursos hídricos.
Para Verruck, a articulação entre governo, produtores e instituições de pesquisa tem sido decisiva. “Quando esses atores trabalham juntos, conseguimos acelerar a transição para uma agropecuária moderna, de baixa emissão de carbono e com alto desempenho”, destacou.
Credibilidade internacional e rastreabilidade
O Estado também avança em iniciativas voltadas ao mercado internacional. A Semadesc e o Fundems estão investindo R$ 7,6 milhões em certificação e monitoramento de carbono na produção de soja e milho, alinhando a produção local às exigências dos principais mercados globais.
Na pecuária, Mato Grosso do Sul conquistou em 2025 o status de área livre de febre aftosa sem vacinação e avança na implantação do Sistema Estadual de Rastreabilidade Bovina, com início previsto para 2026 e cobertura total até 2032. O Estado também desenvolve o Selo Verde, que integrará dados ambientais e produtivos para garantir transparência socioambiental às cadeias da carne e da soja.
Liderança em sistemas integrados
Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional de áreas com Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), com mais de 3,6 milhões de hectares. Esses sistemas contribuem para diversificação de renda, recuperação do solo e redução da pressão por novas áreas.
O Estado também está entre os cinco maiores consumidores de bioinsumos do país, impulsionado pelo Programa Estadual de Bioinsumos, criado em 2022. Projetos de confinamento sustentável e intensificação de pastagens ampliam a produtividade e garantem bem-estar animal.
Em parceria com Agraer, Senar e instituições federais, o governo estadual também investe em capacitação técnica. Entre os destaques estão os projetos Carbono ATeG, voltado à mensuração e redução de emissões, e o ABC Cerrado, que promove treinamentos em ILPF, plantio direto e florestas plantadas.
“Nossa meta é chegar ao produtor com assistência técnica de qualidade e acesso a crédito sustentável, garantindo que cada propriedade tenha condições de produzir mais e conservar mais”, reforçou Verruck.