O vídeo-arte "Olha! Lá vem o trem chegando" será lançado no dia 17, com exibição online e presencial em Campo Grande, com entrada gratuita. A obra de oito minutos mistura poesia, dança e audiovisual, explorando a identidade de Mato Grosso do Sul através de deslocamentos históricos. Criada por Pâmella Rani, a obra inclui trilha sonora de Julián Vargas e é acessível com recursos como audiodescrição e tradução em Libras. O projeto é apoiado pela Lei Paulo Gustavo e visa ser um material educativo para diversas instituições.
Entre poesia, dança e sons que ecoam os trilhos, será lançado nesta quinta-feira (17) o vídeo-arte “Olha! Lá vem o trem chegando”. A exibição será online, pelo canal do YouTube (@pamellarani), e presencialmente, às 20h, na Pizza Pub (Rua 14 de Julho, 2553 – Centro de Campo Grande). A entrada é gratuita.
Com oito minutos de duração, a obra cruza poesia, dança e audiovisual para refletir sobre deslocamentos, paisagens e histórias que moldam a identidade de Mato Grosso do Sul, tendo como ponto de partida a antiga malha ferroviária que corta o estado. Interessados em acompanhar o projeto podem acessar o Instagram (@raniepam).
O poema que dá nome à obra foi escrito por Pâmella Rani em 2023, durante uma viagem a Corumbá. “O texto surgiu num passeio de barco pelo Rio Paraguai, e carrega imagens de deslocamento, de travessia, dos fluxos que atravessam corpos e territórios. Fala do movimento das pessoas, da busca por condições melhores, de memórias familiares e afetivas”, conta a artista, que também assina a direção, texto e interpretação do vídeo.
Ao lado do músico e artista plástico Julián Vargas, responsável pela trilha sonora, ilustrações, câmera, montagem e edição, Pâmella percorreu trechos entre Campo Grande e Corumbá, registrando estações desativadas, rios e paisagens que remetem à memória dos deslocamentos. “A partir de estudos de dança corporal, dança com bambolê, declamação poética, ilustrações e sons de percussão, pássaros, águas e trens, o vídeo se constrói como um mergulho experimental e sensível na memória dos caminhos”, explica Rani.
Julián destaca que o projeto nasceu do desejo de unir suas pesquisas artísticas. “A poesia foi o ponto de partida. Eu sugeri transformar em vídeo-dança, e aos poucos fomos costurando os elementos — a trilha, a imagem, o movimento. O som foi pensado como guia da dança e da memória, com percussões orgânicas e paisagens sonoras que evocam o trem, os pássaros e a água”.
As referências sonoras incluem Naná Vasconcelos e Metá Metá, enquanto a estética visual dialoga com Joan Jonas e William Kentridge. “A paisagem molda o tempo da obra”, completa Julián.
Acessibilidade e formação
Comprometida com o acesso amplo, a obra será disponibilizada com audiodescrição, legendas e tradução em Libras, podendo ser utilizada por escolas, universidades e coletivos artísticos como material de estudo, referência criativa ou base para debates sobre vídeo-arte, performance, memória e território.
O projeto tem apoio da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura, com execução de Pâmella Rani (direção geral e texto), Julián Vargas (trilha sonora, ilustração, câmera, montagem e edição), André Tristão (preparação corporal), Nilcieni Maciel (produção-executiva), Marcia Paulino (figurino), Tatiana Tássia Cavana (Libras) e Beatriz Lunardi (audiodescrição).
Para Pâmella, “é uma obra que fala de memória, mas também de futuro — de como os caminhos que percorremos nos moldam e nos movem”.