Três Lagoas reúne 9 cidades para alinhar educação inclusiva na Costa Leste

Seminário sediado pelo Sebrae/MS juntou cerca de 70 profissionais da região para discutir barreiras na inclusão escolar de estudantes com deficiência

Por

Divulgação/Sebrae/MS

Representantes de nove municípios da região Costa Leste de Mato Grosso do Sul passaram a terça-feira, 6 de outubro de 2026, debatendo um problema que atravessa salas de aula de toda a região: como transformar a legislação de educação especial inclusiva em prática real dentro das escolas. O encontro, sediado na sede regional do Sebrae/MS em Três Lagoas, reuniu cerca de 70 participantes entre gestores públicos, professores e profissionais da Saúde e da Assistência Social.

A pauta não é nova, mas a forma de tratá-la sim. Em vez de cada prefeitura buscar soluções isoladas, Aparecida do Taboado, Brasilândia, Bataguassu, Inocência, Paranaíba, Paraíso das Águas, Santa Rita do Pardo, Selvíria e Três Lagoas decidiram sentar à mesma mesa, ao lado de Ilha Solteira, cidade paulista vizinha que também integra a rede regional. O seminário fez parte do programa Cidade Empreendedora, executado pelo Sebrae/MS com apoio do Governo do Estado e das prefeituras da região.

Alunos da Apae abrem o debate com fanfarra

Antes das discussões técnicas, estudantes da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais se apresentaram com fanfarra e dança, movimento que colocou no centro do evento as próprias pessoas que a política pública tenta alcançar. A gerente da Regional Costa Leste do Sebrae/MS, Josi Signori, destacou o valor de juntar áreas que normalmente trabalham separadas. "Quando reunimos Educação, Saúde, Assistência Social, universidades, gestores e profissionais que vivenciam essa realidade todos os dias, conseguimos enxergar o estudante de forma muito mais ampla", afirmou.

Para Josi, cada cidade tem particularidades, mas boa parte dos obstáculos se repete de um município para outro. "Criar esse espaço regional permite compartilhar soluções, aprender com aquilo que já funciona e construir caminhos que não dependam de esforços isolados", completou.

Secretária de Três Lagoas aponta a sala de aula como ponto crítico

A mesa técnica da manhã reuniu pesquisadoras da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, da CRE12/SE e da Secretaria Municipal de Educação de Três Lagoas, com mediação da secretária Ângela Maria de Souza Brito. Para ela, o maior entrave não está nos textos legais, e sim na rotina escolar. "O grande desafio está na sala de aula. Precisamos compreender que a educação especial inclusiva não é uma escolha, mas um direito dessas crianças", disse.

Ângela reforçou que consolidar a política exige continuidade, não um evento isolado. "É uma construção que requer mais encontros, mais estudos e acompanhamento permanente para que consigamos transformar aquilo que está previsto nos documentos em ações concretas", afirmou. À tarde, o painel "Práticas que inspiram" trouxe experiências já aplicadas em escolas da região, selecionadas por uma comissão científica, para servir de referência a outros municípios.

A secretária de Educação de Brasilândia, Maria Inês Anselmo Costa, acompanhou as apresentações com parte de sua equipe técnica. "Em Brasilândia temos buscado estruturar esse atendimento e avançar de maneira séria, olhando para as necessidades das nossas crianças", disse. O encontro terminou com uma roda de diálogo em que os participantes listaram desafios e compromissos regionais para dar continuidade à agenda depois do seminário.

Fontes: SEBRAE/MS