Uma tarde de confecção de toucas malucas mudou o clima pesado dos corredores da Unidade Neonatal do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS). A proposta, puxada pela equipe multidisciplinar do hospital, usou a brincadeira do "cabelo maluco" como ferramenta de acolhimento para pais que vivem a rotina de ter um filho internado.
A ideia nasceu dos grupos terapêuticos semanais que a unidade já realiza com as mães. "Por isso, realizamos semanalmente grupos terapêuticos com as mães, por meio de atividades expressivas, lúdicas e criativas, promovendo interação, troca de experiências e momentos de descontração durante a internação", explica a terapeuta ocupacional Grazielle F. Malheiros Rodrigues. Para ela, cuidar de quem cuida tem efeito direto sobre o bebê: "Quando cuidamos de quem cuida, também fortalecemos o vínculo entre mãe e bebê, tão importante para o desenvolvimento infantil", afirma.
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Entre as participantes estava a designer de sobrancelhas Ketelly Vitória, de 20 anos, mãe de primeira viagem. A filha dela, Catarina, nasceu prematura, com 29 semanas de gestação, em 12 de agosto de 2026, e desde então passou pela UTI, pela Unidade Intermediária e está agora na Unidade Canguru. Para Ketelly, qualquer distração ajuda a atravessar os dias mais duros. "Tem dias mais complicados, tem diagnóstico ruim, exame difícil. E, nessas horas, o desespero bate, mas tenho tentado me manter calma, porque ela precisa de mim. O hospital em si já é um ambiente pesado e essas atividades salvam a gente", contou.
Angélica Ferreira Rossete, de 35 anos, acompanha a internação do filho José Lucas há 10 dias e usou as cores da touca para espantar o cinza da rotina hospitalar. "Distrai bastante a gente, porque, às vezes, ficamos mais para baixo. Serve para distrair e a gente ver que tudo é passageiro", disse. Já o gesseiro Wanderson Miranda da Silva, de 34 anos, admite que desconfiou da proposta no início, mas mudou de ideia rápido: "Foi bem divertido. Fica todo mundo conversando, e a gente já foi fazendo amizade", relembrou.
A médica neonatologista Bianca Stavis Conte reforça que o envolvimento da família no dia a dia do tratamento tem peso clínico, não só emocional. Segundo ela, as mães participam da retirada do leite, da troca de fraldas sob orientação da equipe e do Método Canguru, com contato pele a pele. "Quanto maior a presença dos pais, a recuperação tende a ser mais rápida", explica.
Para Grazielle, o resultado da oficina vai além da distração momentânea. "É gratificante ver as mães participando, interagindo, sorrindo e compartilhando experiências", finaliza a terapeuta ocupacional.
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Fontes: GOVERNO DE MATO GROSSO DO SUL