Sucuri de 4 metros camuflada em toco é flagrada em rio de MS

Pescador de Jateí gravou serpente enrolada entre galhos e alertou sobre o risco de quem sobe em tocos durante a pescaria

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Reprodução/turismo.ms.gov.br (imagem ilustrativa)

Um toco qualquer, à beira do rio Pirajuí, em Jateí, escondia uma sucuri de cerca de quatro metros enrolada entre os galhos. Quem percebeu foi o pescador e influenciador Rafael Gandine, durante uma pescaria em dia frio, quando notou o animal tomando sol quase invisível na paisagem — e resolveu registrar tudo em vídeo antes de dar mais um passo.

O flagrante reacende um alerta que moradores da região Sul de Mato Grosso do Sul conhecem bem: em áreas de rio e mata ciliar, um toco aparentemente vazio pode ser o esconderijo perfeito para uma serpente de grande porte. A cena, gravada por Gandine, expõe justamente esse risco — o de pisar sem querer sobre um animal camuflado à espreita.

"Uma pisadinha errada": o alerta de quem vive entre sucuris

Morador do assentamento Gleba Nova Esperança, Gandine já soma mais de 100 encontros registrados com sucuris na região, segundo relatou ao g1. Na gravação, ele mesmo descreve o hábito de risco entre pescadores: "O cara sempre gosta de subir em cima desses tocos, mas sempre que você subir dá uma olhadinha boa para não pisar em cima. Uma pisadinha errada, um presente misterioso", afirma no vídeo, ao apontar o tamanho do animal enrolado.

Ainda na gravação, ele estima as dimensões da serpente: "Essa daqui dá o que, pelo que eu tô vendo, dá uns três, quatro metros, a bicha é bem grande, tá muito enrolada, tá de boa", diz. Segundo o relato, o animal permaneceu no mesmo ponto durante toda a pescaria, sem se mover, comportamento típico de sucuris em processo de termorregulação ao sol.

Já mordido por sucuri, pescador reforça que ataques são raros

Não é a primeira vez que Gandine tem contato direto com o réptil. Em maio do ano passado, ele foi mordido por uma sucuri ao caminhar por um córrego sem perceber a presença do animal — na ocasião, um dente da cobra quebrou e ficou preso em sua perna, exigindo remoção e atendimento médico, mas sem necessidade de soro antiofídico.

O biólogo e especialista em serpentes Henrique Abrahão Charles explica que episódios como esse são exceção, não regra. "É raro ser mordido por uma sucuri, quando acontece são todas de defesa, ou seja, alguém foi lá e mexeu com o bicho, pisou ou se aproximou demais, são mordidas de advertência. A gente não tem registros de ataque", afirma. Sobre o caso de Gandine, o especialista reforça: "No caso dele, ele não viu a sucuri, acabou pisando nela e aconteceu dela dar uma mordida, mas isso não foi um ataque, foi uma defesa".

Fontes: G1 MS