Sétimo título da ONU: por que o Centro de Campo Grande some sob lixo à noite

Equipe do FAC refaz semanalmente o paisagismo entre a Afonso Pena e a 14 de Julho após vestígios de bebedeiras e vandalismo

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Reprodução/prefcg-repositorio.campogrande.ms.gov.br (imagem ilustrativa)

Todas as semanas, uma equipe da Unidade Técnica de Agricultura Urbana do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC) percorre o coração de Campo Grande recolhendo garrafas de vidro, restos de carvão de espetinho e dejetos deixados sobre os canteiros que separam a badalação noturna da vitrine verde da cidade. O trabalho se repete no trecho da Avenida Afonso Pena, entre a Rua Calógeras e o Obelisco, e na Rua 14 de Julho, do Relógio Central até a esquina com a Rua Mato Grosso — justamente a área que concentra bares, lanchonetes e o maior fluxo de pedestres do Centro depois do expediente comercial.

O esforço ganha peso simbólico porque Campo Grande chegou a 2026 com o título de Tree City of the World, da Organização das Nações Unidas, pela sétima vez seguida. É um selo que reconhece política de arborização urbana havia anos, mas que agora esbarra em um problema recorrente: manter os jardins do Centro vivos depende menos de plantio e mais de convencer quem passa por ali a não pisar, não jogar lixo e não tratar canteiro como cinzeiro.

Espécies mais castigadas ficam expostas ao pisoteio constante

Entre as plantas mais atingidas pela depredação estão jiboias, bromélias, girassóis-mirins, chuvas-de-prata e beijinhos, segundo a equipe do FAC. Ao pé do monumento do Relógio da 14 de Julho, as marias-sem-vergonha sofrem o desgaste mais direto: pedestres e frequentadores da rua pisam sobre a espécie de forma contínua, o que obriga replantio quase toda semana.

A presidente do FAC, Adir Diniz, resume o dilema entre o valor simbólico dos canteiros e a realidade do uso diário do espaço. "A cidade é um espaço para todos nós aproveitarmos. Os jardins estão espalhados por vários canteiros para trazer beleza e produção de oxigênio. A cidade mais arborizada do Brasil merece ser também a mais florida", afirma Adir. Para os trabalhadores municipais, o cenário que encontram após as noites de maior movimento — garrafas, plástico e resíduos sobre as flores — faz da manutenção um trabalho que a própria equipe descreve como enxugar gelo.

Comércio e moradores tentam segurar a rotina de cuidado

Enquanto o poder público lida com o desgaste, parte do comércio da região assumiu, por conta própria, adotar os canteiros em frente às lojas. É o caso de Carla, de 22 anos, funcionária de uma cafeteria na 14 de Julho, que rega as mudas no intervalo do trabalho. "Deixa o centro bonito para a gente cuidar, a gente ajuda a molhar, mas várias pessoas não cuidam, pisam nas plantas, não têm a consciência de que é para o bem delas as plantas", lamenta.

A promotora de vendas Andrea Elizabeth, 42 anos, moradora do Jardim Leblon, é uma das pedestres que atravessa o Centro florido diariamente e nota diferença no ar da região. "Além de trazer uma beleza para a nossa cidade, você respira um ar mais puro, tendo plantas ao nosso redor", avalia. O FAC aposta nesse tipo de adesão espontânea de comerciantes e moradores como a principal saída para reduzir o retrabalho semanal e manter o selo internacional condizente com o que se vê nas calçadas do Centro.

Fontes: AGÊNCIA MUNICIPAL DE NOTÍCIAS DE CAMPO GRANDE (CGNOTÍCIAS); PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPO GRANDE