Sebrae mapeia tradições pantaneiras em Coxim com ajuda de moradores

Encontro no Escritório Regional ouviu cozinheiros, guias de turismo e escritores para identificar saberes e práticas que definem a identidade pantaneira no município

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Divulgação/SEBRAE/MS
Divulgação/SEBRAE/MS

Coxim deu o primeiro passo para catalogar oficialmente aquilo que a cidade já vive no dia a dia: a cultura pantaneira. Nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, representantes da culinária, do turismo e das artes locais se reuniram no Escritório Regional do Sebrae/MS para discutir um mapeamento dos ícones culturais do município, puxado pela equipe da Regional Norte da instituição.

O projeto nasce dentro de um movimento maior: a implantação dos Centros de Tradições Pantaneiras em Mato Grosso do Sul, espécie de resposta regional a modelos já consolidados no estado, como os Centros de Tradições Gaúchas. A diferença é que, neste caso, quem vai apontar o que entra no mapa não é um comitê de especialistas de fora, mas as próprias pessoas que vivem, cozinham e contam histórias do Pantanal em Coxim.

Escuta direta de quem vive no território

A gerente da Regional Norte do Sebrae/MS, Luzicarla Softov, explicou que o objetivo é dar visibilidade a referências culturais que já existem, mas seguem pouco documentadas. "Coxim tem uma relação muito forte com o Pantanal e reúne pessoas que carregam conhecimentos, histórias e práticas que fazem parte dessa identidade", afirmou. Segundo ela, a mobilização pretende transformar esse reconhecimento em oportunidades concretas para o município.

A consultora Denise Silva, também do Sebrae/MS, reforçou que o Pantanal não tem uma cultura única, e sim um conjunto de identidades regionais. "A cultura pantaneira é um grande mosaico", disse, citando a Rota das Monções, trajeto histórico de comércio fluvial que passa por Coxim, como exemplo de traço exclusivo da região que precisa ser registrado antes que se perca.

Portal do Pantanal quer gastronomia e turismo como vitrine

A gerente de Turismo de Coxim, Daiane Azzolin, lembrou que o município já abriga centros culturais de outras tradições, como a nordestina e a gaúcha, mas ainda não organizou formalmente a própria identidade pantaneira, apesar de se apresentar como Portal do Pantanal. "As pessoas vêm de longe para conhecer a cultura pantaneira, enquanto muitas vezes temos crianças nas escolas que não sabem o que é essa cultura", disse.

Quem defende a gastronomia como porta de entrada para esse reconhecimento é o cozinheiro Julio Norberto Gomes, conhecido como Julio Pipoca. Ele citou pratos como arroz carreteiro, macarrão frito, feijão gordo e costela de chão como parte de um patrimônio que precisa ser valorizado dentro do próprio estado antes de virar atração turística. "A cultura pantaneira desperta interesse lá fora, mas precisamos que o próprio povo da terra também abrace e valorize essa tradição", relatou.

O escritor Adelino Alexandre Lopes completou que o processo de escuta promovido pelo Sebrae já tem valor por si só, independentemente do resultado final do mapeamento. "Estamos no Portal do Pantanal, mas precisamos refletir sobre o que esse território representa para nós", afirmou. Informações sobre as ações do Sebrae em Mato Grosso do Sul podem ser obtidas pela Central de Relacionamento, no 0800 570 0800, ou no site ms.sebrae.com.br.

Fontes: SEBRAE/MS


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