Rebanho recua e retenção de fêmeas aperta reposição para pecuarista de MS

Levantamento mostra queda de 6,5 milhões de cabeças no rebanho nacional e aponta pressão de custos que chega ao Centro-Oeste e a Mato Grosso do Sul

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Juan Martin Lopez/Pexels

O pecuarista de Mato Grosso do Sul entra no último trimestre de 2026 diante de um movimento que promete encarecer a reposição de animais em 2027: o abate de fêmeas está em queda e o rebanho brasileiro, depois de anos de expansão, perdeu força. Levantamento divulgado pela consultoria Safras & Mercado, publicado pelo portal especializado Canal Rural, mostra que o efetivo nacional caiu de um pico de 238,6 milhões de cabeças em 2023 para uma projeção de 232,1 milhões em 2026, recuo acumulado de 6,5 milhões de animais.

A desaceleração dos abates no terceiro trimestre deste ano não veio de um fator isolado. Frigoríficos operam com mais ociosidade, os confinamentos receberam menos animais do que o previsto e, principalmente, o produtor passou a segurar as fêmeas no plantel em vez de mandá-las para o abate. É esse último ponto que muda o jogo para quem compra bezerro e novilha na ponta da recria, inclusive em MS.

Centro-Oeste perde cabeças e disputa terra com a soja

O Centro-Oeste segue como a principal região pecuária do país, concentração de frigoríficos e abastecimento do mercado exportador. Mas o levantamento mostra que o rebanho regional caiu de 74,9 milhões de cabeças em 2024 para 72,2 milhões em 2025, com projeção de recuar a 68,5 milhões em 2026, uma perda de mais de 6 milhões de animais em dois anos.

Parte dessa queda tem explicação estrutural, não cíclica: áreas de pastagem de baixa produtividade estão sendo convertidas para soja, milho e algodão, culturas que pagam muito mais por hectare. Em estados como Mato Grosso do Sul, onde pecuária e agricultura disputam a mesma terra, esse processo de conversão já é conhecido do produtor e tende a se acentuar justamente quando o preço da terra sobe e o custo de oportunidade de manter boi solto no pasto fica mais caro.

Retenção de fêmeas aponta para reposição mais cara em 2027

Durante os últimos anos, o abate elevado de vacas e novilhas sustentou um volume forte de carne disponível, mas corroeu a base de matrizes que gera bezerro. Agora que o preço da reposição reage, segurar a fêmea no plantel volta a fazer sentido econômico para o produtor, e é esse movimento que começa a aparecer nos números de abate.

Para o pecuarista de MS, o recado prático é direto: comprar fêmea para recria ou cria deve ficar mais caro em 2027, e a entrada de animais nos confinamentos da região tende a exigir negociação mais disputada. O volume abatido neste ano ainda está em patamar historicamente alto, resultado do ciclo intenso de descarte dos últimos anos, mas os fundamentos começam a desenhar um cenário diferente daquele observado durante a fase de expansão do rebanho entre 2020 e 2023.