MS cria mapa de estradas rurais após isolamento de fazendas na chuva
Decreto forma grupo de trabalho para mapear acessos em 79 municípios; prazo é de 180 dias, prorrogáveis, após episódio de isolamento em Sonora e Coxim
Foto: Rodrigo_Santos / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
O Governo de Mato Grosso do Sul publicou o Decreto nº 16.802 criando um grupo de trabalho interinstitucional para levantar, pela primeira vez de forma sistematizada, a condição de todas as estradas rurais dos 79 municípios do Estado. A medida sai poucos meses depois de fazendas entre Sonora e Coxim ficarem isoladas pela cheia do Pantanal do Paiaguás, quando a água cobriu o aterro da MS-214, a Transpantaneira Paiaguás, e trabalhadores rurais passaram semanas sem receber mantimentos.
O caso ilustra um problema que se repete todo ano no interior sul-mato-grossense: sem um raio-X atualizado da malha viária rural, prefeituras e o próprio Estado descobrem que um trecho crítico precisava de intervenção só depois que a chuva já bloqueou a passagem. Foi o relato do pecuarista Kin Monteiro Hindebrand, que na época descreveu a situação das famílias que dependiam das fazendas da região. "Patrão dá um jeito, mas as famílias dos funcionários das fazendas estão completamente isoladas. Nem comida está chegando para eles", disse ele, ainda durante o pior momento do alagamento.
O que o grupo de trabalho vai mapearSegundo o decreto, publicado no Diário Oficial, cinco órgãos estaduais vão compor a equipe responsável por montar essa base de dados georreferenciada: a Semadesc, a Seilog, a Iagro, a Agraer e o Imasul. Juntos, eles vão classificar cada acesso rural por natureza, extensão, trafegabilidade e vínculo com os imóveis cadastrados, cruzando essas informações com bancos de dados que já existem, como o CAR-MS (Cadastro Ambiental Rural de Mato Grosso do Sul) e as malhas viárias estadual e federal.
Na prática, o Estado quer saber onde cada estrada de terra começa e termina, a quais propriedades ela serve e qual é a real condição de tráfego em cada trecho, informação que hoje está pulverizada entre prefeituras, produtores e órgãos diferentes, sem um documento único de consulta. O decreto também abre espaço para identificar mudanças na malha, como a abertura de novos caminhos ou o abandono de vias que perderam uso ao longo dos anos.
Prazo de 180 dias e o que vem depoisO grupo interinstitucional tem 180 dias a partir da instalação para entregar um relatório final ao governador, prazo que pode ser prorrogado por igual período caso o levantamento nos 79 municípios não seja concluído a tempo. O texto do decreto trata o mapeamento como "instrumento indispensável" para embasar decisões futuras de investimento em infraestrutura rural, o que sinaliza que o diagnóstico deve orientar prioridades de obras de recuperação de estradas antes da próxima cheia atingir regiões como o Pantanal do Paiaguás.
Para produtores da região de Coxim e Sonora, que viveram na pele o isolamento em 2026, o resultado prático só deve aparecer quando o relatório apontar quais trechos entram na fila de intervenção. Até lá, o decreto formaliza a primeira etapa: descobrir, com precisão, onde estão os pontos mais vulneráveis da malha rural sul-mato-grossense.
Fontes: DIÁRIO OFICIAL DE MATO GROSSO DO SUL; CAMPO GRANDE NEWS