MPT notifica 68 acusados de assédio eleitoral em Mato Grosso do Sul

Casos cresceram após o segundo turno e mobilizaram atuação do Ministério Público do Trabalho em todo o Estado

Por

O Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) notificou 68 pessoas acusadas de prática de assédio ou discriminação eleitoral após o segundo turno das eleições de 2026. Segundo o órgão, o volume de ocorrências surpreendeu por ter ocorrido principalmente após o encerramento da disputa eleitoral, cenário considerado incomum em relação a pleitos anteriores. 

De acordo com a procuradora-chefe do MPT-MS, Cândice Gabriela Arosio, os casos envolvem, em sua maioria, ameaças, constrangimentos e manifestações defendendo demissões ou represálias contra trabalhadores por causa de posicionamentos políticos. O órgão identificou registros em diferentes regiões do Estado, com maior concentração em Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.

O Ministério Público do Trabalho informou que vem analisando as denúncias individualmente e adotando medidas que incluem notificações, recomendações para retratação pública e abertura de procedimentos investigatórios. O órgão também reforçou que ameaças de demissão, recusa de contratação ou qualquer forma de pressão relacionada à preferência política podem configurar assédio eleitoral e violar direitos fundamentais dos trabalhadores. 

Os números mostram um crescimento expressivo das denúncias durante o processo eleitoral. Levantamento do próprio MPT-MS apontou aumento superior a 200% entre os turnos das eleições, refletindo maior conscientização da população sobre os mecanismos de denúncia e a ilegalidade dessas práticas. O órgão mantém canais abertos para recebimento de novos relatos, inclusive após o encerramento das eleições, e destaca que o voto é livre e secreto, sem possibilidade de interferência por empregadores ou superiores hierárquicos.