Impressão 3D ganha espaço em Campo Grande e vira oportunidade de negócio
Tecnologia antes associada à indústria chega às casas, movimenta feiras e permite produzir de miniaturas a utensílios domésticos
A impressão 3D está conquistando cada vez mais espaço em Campo Grande, tanto como ferramenta de lazer quanto como alternativa para geração de renda. A tecnologia aparece com frequência em feiras da Capital, onde são comercializados personagens da cultura pop, miniaturas, itens colecionáveis, peças de decoração e objetos úteis para o cotidiano.
Diferentemente das impressoras convencionais, os equipamentos 3D transformam projetos digitais em objetos físicos. Dependendo da tecnologia utilizada, a fabricação pode empregar diferentes materiais. Entre os mais utilizados estão plástico, resina, metal, borracha, gesso, cera e cerâmica. A produção ocorre em sucessivas camadas até que o objeto projetado seja formado.
Um exemplo da transformação da tecnologia em negócio vem da própria Capital. Aos 16 anos, Mariana Emanuele já possui 11 impressoras 3D, adquiridas com o dinheiro obtido nas vendas. O interesse começou aos 15 anos, quando passou a utilizar a impressora de seu padrinho para fabricar peças destinadas à comercialização. Atualmente, participa de eventos e mantém três bancas na Feira do Bosque, além de receber convites para outras programações.
Os produtos fabricados incluem personagens inspirados em animes, filmes e jogos, além de itens personalizados relacionados ao futebol. Outro segmento que ganhou procura é o de peças sensoriais. A variedade mostra como a impressão 3D pode atender diferentes públicos e permitir que pequenos produtores trabalhem com produtos personalizados e em pequena escala.
Hobby que pode virar renda
A tecnologia também abriu espaço para pequenos negócios especializados. O microempreendedor Leonardo Gomes, da Runa Forge, começou por interesse em tecnologia e cultura geek e passou a trabalhar principalmente com impressão em resina. A atividade, inicialmente um hobby, evoluiu para a produção comercial de miniaturas, colecionáveis e componentes para jogos de tabuleiro apresentados em feiras culturais de Campo Grande.
Entre os produtos com maior procura estão colecionáveis pintados e miniaturas destinadas a jogos de RPG. Segundo o empreendedor, a evolução das próprias impressoras também facilitou a entrada de novos usuários nesse mercado, especialmente no segmento de equipamentos que trabalham com filamentos.
Tecnologia também entra na rotina doméstica
Além do empreendedorismo, existem moradores usando as máquinas para solucionar pequenas necessidades de casa. Gabriel Leite e Beatriz Irineu, junto com o irmão de Beatriz, compartilham uma impressora 3D utilizada na fabricação de organizadores, porta-objetos, itens de lazer, presentes personalizados e outras peças.
O equipamento escolhido pelo grupo custou aproximadamente R$ 2,3 mil. Os filamentos utilizados ficam na faixa de R$ 125 a R$ 130, segundo informações dadas pelos usuários ao Campo Grande News. Embora a manutenção não seja frequente, cuidados como limpeza e lubrificação precisam fazer parte da rotina de utilização.
A expansão da impressão 3D em Campo Grande mostra uma tecnologia que começa a sair do universo industrial e especializado para entrar no cotidiano. Seja para produzir uma peça personalizada, desenvolver itens colecionáveis ou iniciar um pequeno negócio, as máquinas ampliam as possibilidades de fabricação sob demanda e já ajudam a movimentar o mercado criativo da Capital.