O Governo de Mato Grosso do Sul está avançando nos estudos para conceder à iniciativa privada duas importantes rodovias localizadas no chamado Vale da Celulose. A proposta envolve os trechos da MS-377, entre Água Clara e Inocência, e da MS-240, que liga Inocência a Paranaíba, formando um corredor logístico estratégico para o transporte de produtos florestais, celulose e insumos industriais.
Segundo o Escritório de Parcerias Estratégicas (EPE), um grupo de trabalho foi criado para elaborar estudos técnicos que definirão o melhor modelo de concessão. As duas rodovias somam cerca de 220 quilômetros e complementam a estrutura da chamada Rota da Celulose, considerada um dos maiores projetos de infraestrutura em andamento no Estado.
A necessidade de novos investimentos ganhou força com a expansão da indústria florestal na região. O aumento do tráfego de caminhões pesados, especialmente nas rotas utilizadas por empresas como a Suzano e pela futura fábrica da Arauco em Inocência, elevou a demanda por manutenção, ampliação da capacidade viária e melhorias de segurança. A MS-377, por exemplo, já apresenta desgaste causado pela intensa movimentação de veículos de carga ligados ao setor de celulose.
O governador Eduardo Riedel afirmou que a intenção do Estado é concluir os estudos e encaminhar o projeto para leilão na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. A concessão deverá complementar o sistema já administrado pelo consórcio Caminhos da Celulose, responsável por aproximadamente 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais em Mato Grosso do Sul.
Atualmente, a concessão da Rota da Celulose envolve as rodovias MS-040, MS-338, MS-395 e os trechos federais das BRs-262 e 267. O contrato prevê investimentos de R$ 10,1 bilhões em obras, manutenção e operação ao longo de 30 anos, incluindo duplicações, terceiras faixas, acostamentos e sistemas modernos de pedágio eletrônico.
Com a inclusão da MS-377 e da MS-240 no programa estadual de concessões, o governo busca consolidar a malha logística que atende o Vale da Celulose, região que concentra alguns dos maiores investimentos industriais do país e que vem transformando a economia do leste de Mato Grosso do Sul.