Extrema pobreza cai 40,7% em MS em dois anos, aponta Governo do Estado

Programa Mais Social tirou 27 mil pessoas do benefício por melhora de renda; MS mira ser o 1º estado a zerar a extrema pobreza

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Divulgação/SEAD-MS

Mato Grosso do Sul chega aos 49 anos de criação, completados nesta terça-feira (13), com um indicador que o governo estadual trata como o principal legado da gestão na área social: a extrema pobreza no Estado caiu 40,72% em dois anos, saindo de 2,7% em 2022 para 1,6% em 2026, o terceiro menor índice do país. O resultado rendeu a Mato Grosso do Sul o prêmio Excelência em Competitividade 2026, concedido pelo Centro de Liderança Pública (CLP).

O número é puxado pelo programa Sem Deixar Ninguém Para Trás, estratégia da Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead) que reúne iniciativas como Mais Social, Energia Social, Cuidar de Quem Cuida e MS Supera. A lógica combina socorro imediato a famílias vulneráveis com ações de qualificação profissional e autonomia financeira, para que o benefício não vire dependência permanente.

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De beneficiária a ex-beneficiária: o caminho que o programa quer repetir

A aposentada Quitéria Bernado da Silva, de 58 anos, recorreu ao Mais Social quando estava desempregada e com filhos pequenos para criar. "O Mais Social foi uma ajuda no momento em que eu mais precisava, quando minhas crianças eram todas pequenas e eu estava desempregada. Eu só tenho a agradecer ao programa, que me acolheu quando precisei", contou. Depois de conseguir emprego fixo em um prédio na avenida Afonso Pena, em Campo Grande, ela pediu para sair do programa. "Quando a minha situação melhorou, eu decidi abrir mão do programa para que outra pessoa pudesse receber o Mais Social", disse.

Casos como o dela não são isolados: desde 2023, mais de 27 mil pessoas deixaram o Mais Social por melhora de renda, segundo a Sead. O benefício funciona por cartão exclusivo para compra de alimentos, itens de higiene, limpeza e gás de cozinha, com veto à compra de bebida alcoólica e produtos de tabaco. Em paralelo, o Estado passou a cruzar bancos de dados e usar georreferenciamento para localizar os chamados "invisíveis sociais", pessoas em situação de pobreza extrema que nunca tinham sido incluídas em nenhum programa.

Governo mira ser o primeiro estado a zerar a extrema pobreza

Para o governador Eduardo Riedel, o indicador reflete uma mudança de prioridade na gestão. "Esse projeto é fruto de uma indignação: um estado que cresce como Mato Grosso do Sul não pode pensar em deixar alguém para trás. Essa indignação nos fez mudar o eixo e trabalhamos juntos e o programa funcionou muito bem, tanto que saímos de 2,7% de pobreza extrema em 2022 para 1,6% agora, e vamos continuar trabalhando para erradicar a pobreza extrema no nosso estado", afirmou.

Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) mostram que 44.604 pessoas deixaram a pobreza em Mato Grosso do Sul entre março de 2024 e março de 2026. Pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, outras 34 mil famílias sul-mato-grossenses saíram da insegurança alimentar no mesmo período.

A secretária da Sead, Patrícia Cozzolino, atribui o resultado à reformulação dos programas sociais, que deixaram de ser apenas transferência de renda. "Uma das coisas que mais nos angustiava eram as pessoas à margem de tudo, que a gente denominou de invisíveis sociais. Uma das nossas tarefas foi a de encontrar essas pessoas. Além disso, nós transformamos todos os programas em programas estruturantes. Então, hoje não se transfere só a renda", explicou. Entre os exemplos citados está o Programa de Apoio à Mulher Trabalhadora e Chefe de Família: Criança na Creche, que paga apoio financeiro a mães solo do Mais Social para custear cuidado dos filhos enquanto trabalham, e o MS Qualifica, que reserva vagas de qualificação profissional para beneficiários do programa. "Nós estamos caminhando para ser o 1º estado do País a erradicar a extrema pobreza", projetou a secretária.

A marca social se soma a outro indicador que o governo estadual exibe nos 49 anos de Mato Grosso do Sul: o Estado lidera o crescimento da economia entre as unidades da federação, com exportações que já somam US$ 9,21 bilhões entre janeiro e setembro de 2026.

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Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DOS DIREITOS HUMANOS (SEAD-MS); MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO E ASSISTÊNCIA SOCIAL; IBGE