Ex-técnico de handebol multiplicou por 4 os Jogos Escolares de MS

Marcelo Miranda viveu alojamentos improvisados como técnico e, à frente da Fundesporte, levou a competição de 2 mil para 8 mil atletas

Por

Foto: Rodrigo_Santos / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Dormir em sala de aula, enfrentar banheiro sem água quente e comer mal antes de competir: essa era a rotina de atletas e técnicos nos Jogos Escolares de Mato Grosso do Sul até meados da década passada. Quem viveu essa realidade de dentro da quadra foi Marcelo Miranda, então técnico de handebol, que anos depois assumiria a gestão da competição e a transformaria por completo.

Em 2015, o então governador Reinaldo Azambuja convidou Miranda para comandar a Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul, a Fundesporte. O primeiro grande evento que caiu em suas mãos foi justamente aquele que ele mesmo criticava como técnico. A virada de posição, de quem reclamava da estrutura para quem precisava construí-la, definiu o rumo dos anos seguintes.

De alojamento improvisado a hotel com buffet

A gestão eliminou o modelo de hospedagem em escolas e passou a alocar as delegações em hotéis, com alimentação orientada por nutricionistas e servida em sistema de buffet. Surgiu também o Centro de Convivência dos Jogos, espaço de lazer, cultura e shows para preencher o tempo dos estudantes fora das quadras.

O formato das disputas mudou junto. Antes, uma eliminação precoce mandava a equipe de volta para casa. Depois da reformulação, as delegações passaram a permanecer no evento até o fim, independentemente da colocação na tabela, garantindo que o estudante vivesse a experiência esportiva por completo. "Eu sabia que não bastava fazer um jogo melhor. Era preciso mudar a experiência inteira do atleta, do professor e da família", afirma Marcelo Miranda.

De 2 mil para 8 mil atletas em uma década

O crescimento dos Jogos Escolares de MS sob a gestão de Miranda salta aos números: a competição saiu de cerca de 2 mil atletas em 2015 para mais de 8 mil atualmente, alta superior a 300%. O número de municípios participantes passou de aproximadamente 20 para 70, o que ampliou o alcance da competição para praticamente todo o estado.

O reflexo apareceu também fora das quadras. Municípios que antes evitavam sediar etapas passaram a disputar a chance de receber delegações, movimentando rede hoteleira, restaurantes e comércio local durante os dias de competição. O esporte escolar, que antes ocupava as férias de estudantes e professores sem retorno perceptível para as cidades-sede, passou a funcionar como motor de economia local temporária.

Miranda ficou à frente da Fundesporte entre 2015 e 2022 e depois comandou a Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura, entre 2023 e abril de 2026. Graduado em Educação Física pela UFMS, especialista pela PUC Minas e mestre pela Unicamp, hoje ele é pré-candidato a deputado estadual em Mato Grosso do Sul.