EUA aliviam tarifa e China compra mais carne e leite: o que muda para MS
Acordo bilateral libera US$ 30 bilhões em bens de cada lado; lista chinesa inclui carnes e lácteos, produtos que MS exporta
Foto: Rodrigocabral2019 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)
Estados Unidos e China divulgaram neste domingo, 27 de setembro de 2026, as listas de produtos que vão receber alívio tarifário recíproco dentro de um novo acordo comercial batizado de "30 por 30". Cada país abre mão de tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em importações do outro, com base no volume de comércio registrado em 2024. Do lado chinês, a lista inclui carnes e lácteos, justamente os produtos que colocam Mato Grosso do Sul no radar do comércio internacional.
A negociação nasceu de um encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em maio deste ano, durante viagem do americano a Pequim. Passados quatro meses, as equipes técnicas fecharam o desenho final: um conselho conjunto vai coordenar a liberação e monitorar o comércio dos itens beneficiados, com reuniões periódicas e revisões que, em princípio, não devem ocorrer mais de uma vez por ano.
O que a China aceita comprar mais baratoO pacote chinês é o que interessa direto ao produtor sul-mato-grossense. Segundo o Ministério do Comércio da China, mais de 90% dos itens das duas listas vão voltar ao tratamento de nação mais favorecida, ou seja, sem as sobretaxas aplicadas durante a guerra comercial dos últimos anos. Entram nessa conta carnes, lácteos, produtos agrícolas em geral, itens de cuidados pessoais, dispositivos médicos e carvão.
20 milhões de cabeças, segundo levantamentos do próprio setor pecuário estadual, e tem na China um dos principais destinos da carne exportada. Uma redução de barreira tarifária chinesa para carne americana tende a mexer no tabuleiro global de preços, ainda que o efeito imediato dependa de como Pequim distribui suas compras entre fornecedores.
Lado americano foca em bens de consumo, sem impacto agrícola diretoJá a lista dos Estados Unidos mira o varejo, não o agro. Brinquedos sem conectividade sem fio, fogos de artifício, utensílios domésticos de plástico, roupa de cama, cobertores e pequenos eletrodomésticos como micro-ondas, cafeteiras e ferros elétricos aparecem entre os itens liberados. Produtos infantis, como cadeirinhas de segurança, cadeiras altas e cercadinhos, também entraram na lista americana.
"A recomendação conjunta envolve bens classificados como não sensíveis e poderá beneficiar consumidores e ampliar o acesso a mercado", afirmou o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Do lado americano, o Conselho de Comércio EUA-China será liderado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e pelo próprio Greer. Na China, a coordenação fica com o vice-primeiro-ministro He Lifeng.
Grupo de trabalho agrícola pode redefinir compras chinesasAlém das listas de bens, os dois países fecharam a criação de um Grupo de Trabalho de Agricultura, com primeira reunião prevista para até o fim de 2026. É esse fórum que vai definir, na prática, se a China amplia ou não as compras de soja, carne e outros produtos americanos, movimento que interfere direto na disputa por espaço no mercado chinês, hoje ocupado majoritariamente pelo Brasil e por estados como Mato Grosso do Sul.
A implementação das duas listas será simultânea, segundo o comunicado dos dois governos, mas ainda depende da conclusão de trâmites legais internos em Washington e em Pequim antes de entrar em vigor.
Fontes: USTR; MINISTÉRIO DO COMÉRCIO DA CHINA; CANAL RURAL