Escola estadual de Campo Grande forma 150 alunos em design com Senac
Parceria entre a EE Vespasiano Martins e o Senac já passa de seis turmas desde 2023; aluno de 16 anos transformou desenhos de anime em curso técnico
Divulgação/AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DO GOVERNO DE MATO GROSSO DO SUL
Um estudante de 16 anos que desenhava personagens de anime no computador de casa, sem imaginar que aquilo virasse profissão, hoje é aluno do Curso Técnico em Computação Gráfica da Escola Estadual Vespasiano Martins, em Campo Grande. Lorenzo de Souza Rocha entrou na escola pelo Ensino Médio regular e descobriu, na parceria da unidade com o Senac, que o hobby tinha caminho técnico, método e mercado de trabalho.
A trajetória de Lorenzo ilustra um movimento maior dentro da rede estadual. A EE Vespasiano Martins soma hoje 118 estudantes matriculados em cursos de tecnologia da educação profissional: 56 no Técnico em Computação Gráfica e 62 no curso de Inteligência Artificial. Desde 2023, quando a parceria com o Senac começou, a escola já formou 150 estudantes em seis turmas, e a procura é tão grande que já existe lista de espera para as próximas vagas.
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Do desenho ao diploma técnicoAntes de entrar na escola, ninguém na família sabia bem o que fazer com as horas que Lorenzo passava copiando personagens e criando quadrinhos. Para ele, o curso deu outro peso a essa rotina. "O curso é a realização de um sonho e também uma prova de que sou capaz de mostrar que consigo ser bom naquilo que me faz feliz", conta o estudante.
O professor Gabriel Medeiros, instrutor do Senac, usa justamente esse interesse por animes como ponte para o conteúdo técnico. "A gente consegue contextualizar o conteúdo técnico a partir do que ele já ama, e com essa empolgação ele embasa muito bem a parte técnica", explica. Segundo o professor, mesmo entre adolescentes que cresceram com celular e computador, boa parte chega ao curso com pouca intimidade real com softwares de edição e design, algo que muda ao longo da formação.
Três anos de curso, um portfólio prontoA formação técnica acompanha os três anos do Ensino Médio. No primeiro ano, o foco é design gráfico, etapa em que Lorenzo está hoje. No segundo, entra a produção de áudio e vídeo. No terceiro e último ano, os alunos trabalham com animação e modelagem 3D voltadas a jogos, curtas-metragens e peças publicitárias. Ao final, o estudante recebe ao mesmo tempo o diploma do Ensino Médio e o certificado técnico, além de um portfólio próprio.
Lorenzo é o primeiro da família a ter contato profissional com tecnologia, com apoio da mãe, dona Laura. Hoje ele recomenda o curso a colegas: "Esse curso tem ótima tecnologia e orienta para o mercado de trabalho", diz. O supervisor pedagógico Giuliano Lennon Borges resume o interesse crescente pela modalidade: "Nós vemos que é uma grande oportunidade para o estudante e para a família".
O caso reflete uma aposta mais ampla da rede estadual na formação profissionalizante. Hoje, 55% dos alunos do Ensino Médio da rede estadual de Mato Grosso do Sul estão em cursos profissionalizantes, dentro de um total de 50 mil estudantes matriculados na educação profissional, com oferta nos 79 municípios do Estado. O número de turmas atendidas saltou de 1,1 mil para mais de 1,7 mil entre 2025 e 2026.
Famílias interessadas em cursos técnicos integrados ao Ensino Médio podem procurar a escola estadual da região e verificar quais modalidades estão disponíveis, já que a oferta varia conforme parcerias locais, como a que funciona entre a EE Vespasiano Martins e o Senac em Campo Grande.