Enquanto CMPC avalia risco de megafábrica no RS, MS acelera expansão da celulose

Projeto da companhia chilena ainda depende de licenças e aprovação definitiva

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Enquanto a chilena CMPC calcula os riscos financeiros para levar adiante uma nova fábrica de celulose no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul avança na implantação de um empreendimento ainda maior da também chilena Arauco. O Projeto Natureza, planejado para Barra do Ribeiro (RS), prevê capacidade de 2,5 milhões de toneladas anuais e ainda depende do avanço do licenciamento e da aprovação definitiva do conselho da empresa. Já o Projeto Sucuriú, em Inocência (MS), alcançou aproximadamente 70% de execução e mantém previsão de entrar em operação no fim de 2027. 

O tamanho do investimento ajuda a explicar a cautela da CMPC. A companhia estima em cerca de US$ 4,6 bilhões o custo do Projeto Natureza, valor que, segundo a Bloomberg, equivale a quase duas vezes o valor de mercado da empresa. A decisão ocorre ainda em um cenário de endividamento elevado e pressão nos preços internacionais da celulose. A dívida em dólares da companhia está classificada como BBB- pela Standard & Poor’s e pela Fitch, enquanto a CMPC informou que a preservação do grau de investimento é considerada nas decisões sobre novos aportes. No Rio Grande do Sul, estimativas recentes colocam o investimento em aproximadamente R$ 27 bilhões. 

Em Mato Grosso do Sul, a Arauco já entrou em uma fase intensa de montagem industrial do Projeto Sucuriú. O investimento também é estimado em US$ 4,6 bilhões, mas a futura fábrica terá capacidade maior, chegando a 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano, contra 2,5 milhões previstas para a unidade da CMPC. No início de outubro, o empreendimento em Inocência registrava aproximadamente 70% de avanço geral, com áreas da construção civil acima de 90% de conclusão. A operação está programada para começar no final de 2027. 

A diferença entre os dois projetos também aparece na etapa de implantação. Em setembro, a CMPC ainda aguardava a Licença Prévia para Barra do Ribeiro e informou que, posteriormente, precisaria solicitar a Licença de Instalação antes de submeter o investimento à decisão definitiva de seu conselho de administração. A expectativa divulgada pela empresa era iniciar as obras no começo de 2027 e colocar a fábrica em funcionamento até o fim de 2029. Em Inocência, além da unidade industrial já em construção, a infraestrutura logística avança para conectar a produção à rede ferroviária e permitir o transporte da celulose até o Porto de Santos. 

O contraste reforça a posição conquistada por Mato Grosso do Sul na atual expansão da indústria brasileira de celulose. Enquanto a CMPC ainda precisa equilibrar licenciamento, condições de mercado e capacidade financeira antes de confirmar sua nova fábrica gaúcha, a Arauco já transforma o investimento bilionário em estruturas industriais no leste sul-mato-grossense. A corrida ocorre em um mercado que amplia sua capacidade no Brasil em busca das vantagens oferecidas pelas florestas de eucalipto de alta produtividade e custos competitivos. Para MS, o avanço do Sucuriú acrescenta uma fábrica de 3,5 milhões de toneladas por ano a uma cadeia florestal em franca expansão e coloca Inocência entre os principais novos polos mundiais da produção de celulose.