Encontro em Campo Grande discute biodiversidade com 1 mil inscritos
Cerca de 300 estudantes da rede pública participam do evento gratuito, que reúne Ibama, ICMBio e universidades até quinta-feira (1º)
Foto: Luiz Antonio Souza R… / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Mais de mil pessoas se inscreveram para um encontro sobre conservação ambiental e biodiversidade que acontece em Campo Grande até quinta-feira, 1º de outubro de 2026. Entre os participantes, cerca de 300 estudantes da rede pública de ensino ocupam boa parte das cadeiras, ao lado de pesquisadores, gestores públicos e representantes de entidades ambientais.
O evento é gratuito e propõe um formato pouco comum: tirar a discussão sobre fauna, clima e preservação do ambiente puramente acadêmico e colocá-la lado a lado com temas como turismo, saúde pública e comunidades tradicionais. A ideia nasceu do Instituto de Conservação do Brasil, e reúne representantes do Ibama, do Ministério do Turismo, do ICMBio e de mais de 40 organizações que trabalham com conservação em Mato Grosso do Sul e no restante do país, além de pesquisadores da UFMS, UCDB, UEMS e UFGD.
Ciência dividindo espaço com quem vive o problema todo diaPara o idealizador do encontro e integrante do conselho diretor do Instituto de Conservação do Brasil, Nondas Okiama, misturar públicos tão diferentes numa mesma programação é proposital. "Conservação é sobre biomas, é sobre pessoas, é sobre espécies, é sobre a nossa vida, tem a ver com o nosso futuro, tem a ver com a nossa saúde, tem a ver com o desenvolvimento", afirmou.
Segundo ele, o objetivo é avançar no letramento ambiental e climático, tirando pesquisadores e gestores do ambiente estritamente técnico. "É uma oportunidade para o estudante, é uma oportunidade para o pesquisador de estar em um outro ambiente também, que não é só o ambiente técnico e acadêmico, e é uma oportunidade para a sociedade se enriquecer", explicou Okiama.
Tatu-canastra e o argumento de que conservar exige mais que biólogoUm dos casos citados na programação é o do tatu-canastra, espécie que o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas) acompanha há 16 anos em Mato Grosso do Sul. O veterinário Danilo Kluyber, da entidade, usa o exemplo para defender que proteger uma espécie não é tarefa isolada de biólogos ou ambientalistas. "O trabalho de conservação exige não só a atuação do biólogo, do médico-veterinário, mas também a integração com o engenheiro florestal, com a política pública e hoje, cada vez mais, com a saúde", disse.
Kluyber também defende que o comportamento individual pesa nesse processo. "A gente precisa entender que nós fazemos parte do meio ambiente. O ser humano não está separado do meio ambiente ou da fauna; a gente faz parte disso", afirmou, ao explicar que a comunicação e a educação são as ferramentas que o Icas usa para tentar mudar hábitos.
Turismo de observação de fauna também entra na rodaOutro eixo da programação é o turismo sustentável, área estratégica para Mato Grosso do Sul, estado que abriga o Pantanal. A representante do Ministério do Turismo, Regina Motta, explicou que transformar a observação de vida silvestre em experiência turística qualificada depende de uma cadeia inteira funcionar junto: acesso, infraestrutura, qualificação de guias e condutores, segurança e comercialização. "Todos esses elementos ali são combinados para ter um resultado", disse.
Segundo Motta, sem articulação entre empreendedores, pesquisadores e poder público, essas experiências não se sustentam a longo prazo. A programação segue com oficinas e debates até quinta-feira, 1º de outubro de 2026, em Campo Grande.
Fontes: INSTITUTO DE CONSERVAÇÃO DO BRASIL; INSTITUTO DE CONSERVAÇÃO DE ANIMAIS SILVESTRES (ICAS)