Em Campo Grande, FAC ensina a transformar roupas velhas em renda

Programa municipal oferece cursos de artesanato e cozinha sustentável; 87% dos têxteis descartados no mundo vão para aterros, mas 90% poderia ser reaproveitado.

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O Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), órgão da Prefeitura de Campo Grande, mantém um programa de cursos e oficinas que ensina moradores a transformar roupas e materiais que seriam jogados fora em produtos comercializáveis — e em fonte de renda. A iniciativa une economia criativa, artesanato e educação ambiental, num momento em que o descarte de peças de vestuário cresce junto com as compras pela internet e a fabricação de roupas de vida curta.

O cenário global ajuda a entender a urgência da proposta: segundo dados citados pelo próprio FAC, 87% dos materiais têxteis descartados no mundo terminam em aterros sanitários, embora mais de 90% desse volume tenha potencial real de reutilização ou reciclagem. Em Campo Grande, como em qualquer grande cidade brasileira, parte significativa desse material segue o mesmo destino — mesmo quando ainda poderia virar artesanato, ser consertado ou ganhar nova função.

Da calça velha ao produto à venda: o que o FAC oferece

Nas oficinas do FAC, tecidos, botões, retalhos e peças sem uso original passam a ter nova forma e valor. O resultado pode ser comercializado pelos próprios participantes, abrindo uma alternativa de renda para quem busca complementar o orçamento ou se inserir no mercado de trabalho. O programa não trata artesanato como hobbie: a lógica é profissionalizar quem aprende, com foco em produtos que têm saída no mercado.

"É preciso incentivar ainda mais a prática da economia criativa, do artesanato, para ajudar cada vez mais pessoas a gerarem renda e reduzir o descarte excessivo de resíduo no meio ambiente", disse Adir Diniz, presidente do FAC. A proposta contesta o ciclo que o próprio programa chama de "extrair, produzir, usar e descartar" — padrão dominante na indústria têxtil global e que pressiona aterros no Brasil inteiro.

Cozinha sustentável também entra na grade

Além do artesanato têxtil, o FAC inclui na programação cursos de cozinha sustentável, com foco no aproveitamento integral dos alimentos — cascas, talos e partes que normalmente vão para o lixo. A lógica é a mesma: reduzir desperdício e, ao mesmo tempo, ampliar as habilidades de quem participa, com impacto direto na dieta e no orçamento doméstico.

Quem quiser participar pode buscar informações sobre inscrições e calendário de atividades diretamente nos canais da Prefeitura de Campo Grande. Para quem já tem interesse em geração de renda por meio de trabalhos manuais, o curso gratuito de bordado em Campo Grande é outra opção disponível na cidade com o mesmo perfil de público.

Fontes: FUNDO DE APOIO À COMUNIDADE (FAC); CGNOTICIAS / PMCG