Cheia atípica do Rio Miranda coloca ribeirinhos em alerta no Pantanal

Nível do rio chegou a 6 metros em outubro, período em que normalmente predominam estiagem e risco de queimadas na região.

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O Rio Miranda registrou uma cheia considerada fora de época e colocou moradores ribeirinhos em estado de atenção no Pantanal sul-mato-grossense. Na manhã de 12 de outubro, o nível do rio atingiu 6 metros na régua instalada na ponte da MS-339, próxima ao município de Miranda. A marca está acima da cota de alerta, estabelecida em 5,5 metros, e se aproxima do nível de emergência, que é de 6,5 metros. 

Segundo a Defesa Civil municipal, a situação foge completamente do comportamento histórico do rio. As grandes cheias costumam ocorrer entre fevereiro e março, período em que os afluentes apresentam maior volume de água e o solo já está saturado pelas chuvas. Em outubro, normalmente o Pantanal enfrenta condições mais secas, o que torna o atual cenário incomum para a região.

As chuvas intensas registradas nos últimos dias são apontadas como a principal causa da elevação rápida do nível do rio. De acordo com relatos da Defesa Civil, o volume acumulado pode ter se aproximado de 300 milímetros em uma semana. Em apenas uma semana, o Rio Miranda saltou de cerca de 2,1 metros para 6 metros, levando autoridades a preparar possíveis ações de apoio e retirada de famílias que vivem em áreas sujeitas a alagamentos. 

Apesar da preocupação com os impactos para os ribeirinhos, especialistas observam que a cheia também traz benefícios ambientais ao Pantanal. O aumento do volume de água favorece a reprodução dos peixes, contribui para a recuperação dos ecossistemas e reduz significativamente o risco de queimadas, um dos principais problemas enfrentados pela região nos últimos anos. Enquanto isso, o monitoramento segue intensificado diante da possibilidade de novas chuvas e da continuidade da elevação do nível do rio.