Centro de MS já atendeu 1.700 migrantes em 2026; veja como pedir ajuda
Venezuelanos lideram atendimentos em Campo Grande; serviço gratuito ajuda com documentos, visto e aulas de português
Divulgação/SEAD-MS
Uma mulher venezuelana atravessou mais de 4.000 quilômetros de estrada, em caronas, desde Pacaraima (RR) até Campo Grande, para recomeçar a vida com o marido e os dois filhos pequenos. A trajetória de Yessika Yailin Hidalgo Rodriguez resume o perfil de quem bate à porta do CAM (Centro de Atendimento ao Migrante), estrutura mantida pelo Governo de Mato Grosso do Sul que, somente neste ano, já prestou atendimento a mais de 1.700 pessoas.
O número tem um recorte: 1.100 dos atendidos são venezuelanos, que deixam o país natal fugindo da hiperinflação, da falta de remédios e da escassez de alimentos básicos. Cubanos, paraguaios, bolivianos e colombianos completam a lista dos que mais procuram o serviço em Campo Grande, sinal de que a capital sul-mato-grossense virou rota de passagem e também de permanência para quem cruza fronteiras em busca de trabalho e segurança.
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O que o Estado oferece a quem chegaNo CAM, migrantes conseguem orientação para regularizar documentos, como o visto provisório, e agendamento para a Polícia Federal emitir o Documento Provisório de Registro Nacional Migratório, válido por um ano e renovável até que o Conare (Comitê Nacional para Refugiados) decida sobre o pedido de refúgio. Foi esse o caminho percorrido por Yessika, que solicitou a renovação do visto de toda a família durante o atendimento.
"Espero ter a oportunidade de ter uma casa aqui. Acho que nunca mais vou voltar para a Venezuela. Tenho saudade da família, mas viver em um país que não tem recurso, não tem medicina, não dá para viver. Aqui nós temos oportunidade de um serviço, tem saúde e educação para as crianças. Quero ficar aqui", conta Yessika, que hoje mora na Casa de Passagem Resgate, abrigo para migrantes mantido por uma organização da sociedade civil. Antes da crise no país de origem, ela trabalhava com estética, mas perdeu o emprego e hoje faz bicos enquanto aguarda o reconhecimento como refugiada para conseguir carteira assinada.
Mulheres são quase metade dos atendidosLevantamento do próprio centro mostra que 44% das pessoas atendidas são mulheres, muitas delas, como Yessika, responsáveis por levar os filhos para uma rotina com escola e posto de saúde. O atendimento é gratuito e pode ser iniciado pelo WhatsApp (67) 3325-6365 ou pelo telefone (67) 3316-9841.
"O primeiro passo, caso alguém conheça algum migrante, é entrar em contato conosco por meio do WhatsApp. Ele vai poder tirar as dúvidas de quais são os documentos que precisa. É um serviço gratuito que é oferecido aqui em Mato Grosso do Sul", explica a coordenadora da Caorc (Coordenadoria de Apoio aos Órgãos Colegiados), Luana Tobias. O centro funciona no terceiro andar do prédio do Procon-MS, na Rua Padre João Crippa, 3115, no bairro São Francisco, em Campo Grande.
Aulas de português abrem caminho para o trabalhoQuem passa pelo CAM também pode entrar no programa UEMS Acolhe, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, que oferece aulas gratuitas de português a migrantes internacionais. Parte das turmas funciona dentro do próprio centro, sempre às quartas-feiras, a partir das 18h. Para participar, é preciso procurar o polo da UEMS mais próximo e fazer a inscrição.
Um dos filhos de Yessika nasceu na Colômbia, mas é em Campo Grande que a família aposta as fichas para reconstruir a rotina interrompida pela crise venezuelana.
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Fontes: SECRETARIA DE ESTADO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E DOS DIREITOS HUMANOS (SEAD-MS)