Caverna no Chaco paraguaio só é acessada por barco saindo de Porto Murtinho

Fotógrafo sul-mato-grossense registrou pôr do sol na Kambá Hópo, no Paraguai, após viagem de uma hora pelo Rio Paraguai partindo de MS

Por

Trinh Tuoi/Pexels

Uma caverna encravada no Chaco paraguaio, bem na divisa com Mato Grosso do Sul, virou destino de um fotógrafo e biólogo sul-mato-grossense em busca de um registro raro: o pôr do sol visto de dentro da Kambá Hópo, em Valle-Mi, território paraguaio. O acesso ao local não tem estrada. É só de barco, pelo Rio Paraguai, e quem quiser repetir o passeio precisa embarcar do lado brasileiro.

O fotógrafo Luiz Felipe Mendes estava hospedado em Porto Murtinho, cidade sul-mato-grossense que faz fronteira seca e fluvial com o Paraguai, quando organizou a travessia. A viagem de barco até a caverna durou cerca de uma hora, trajeto que atravessa um trecho do rio pouco explorado pelo turismo convencional da região.

Porto Murtinho como porta de entrada

A cidade de Porto Murtinho funciona como base logística para quem busca esse tipo de experiência no Chaco paraguaio. Hospedagem, abastecimento e o próprio embarque para travessias fluviais acontecem no município sul-mato-grossense, o que torna o roteiro dependente da infraestrutura brasileira mesmo quando o destino final está em território paraguaio.

A Kambá Hópo não aparece nos circuitos turísticos tradicionais do Paraguai justamente pela dificuldade de acesso. Sem estrada que chegue até a entrada da caverna, o Rio Paraguai segue como único caminho viável, o que limita a visitação a quem dispõe de embarcação própria ou contrata guias especializados na travessia.

Um registro raro do interior da caverna

A imagem que circulou mostra o sol se pondo emoldurado pela abertura rochosa da caverna, um ângulo que só é possível capturar de dentro da formação. O relevo cárstico da região do Chaco, que se estende entre Paraguai, Bolívia e o lado paraguaio da fronteira com Mato Grosso do Sul, é conhecido por abrigar cavernas e paredões que ainda não têm levantamento espeleológico completo.

Para quem vive na fronteira sul-mato-grossense, esse tipo de registro reforça o potencial turístico pouco explorado do corredor fluvial entre Porto Murtinho e o interior paraguaio, hoje restrito a expedições pontuais como a de Mendes.