Cantor de Campo Grande passa 40 dias na China e grava com 11 países

Matu Miranda participou de programa de TV na Ásia e conta como a experiência mudou seu olhar sobre as raízes sul-mato-grossenses

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Foto: Rodrigo_Santos / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O cantor Matu Miranda, natural de Campo Grande, ficou cerca de 40 dias na China para participar da gravação de um programa de televisão ao lado de artistas de outras 11 nacionalidades. Ele voltou ao Brasil com uma leitura diferente da própria carreira e da forma como suas raízes sul-mato-grossenses aparecem no palco.

A viagem nasceu de um convite para integrar uma produção internacional gravada em território chinês, reunindo músicos de origens completamente distintas em um mesmo cenário. Mais de um mês de convivência diária foi o suficiente para que Matu deixasse de lado o estranhamento inicial de turista e passasse a enxergar o país, e a própria música, sob outra perspectiva.

Encontros valeram mais que os palcos

Segundo o cantor, o que mais marcou a passagem pela China não foram os cenários grandiosos das gravações, mas a convivência com os outros artistas. "Passar tanto tempo na China me permitiu ir além daquela primeira impressão de turista e do que a gente imagina sobre a China. O que mais ficou comigo foram justamente os encontros com os chineses e com os artistas dos outros 11 países que participaram do programa", contou.

A barreira do idioma virou, na visão dele, um teste real sobre os limites e as possibilidades da música como linguagem. Mesmo sem dominar o mandarim ou os outros idiomas presentes no elenco internacional, Matu afirma ter conseguido se comunicar por meio da performance. "Existem formas de comunicação que são universais. Como artista, isso reforçou para mim a ideia de que a música consegue atravessar fronteiras de uma maneira muito particular", disse.

Raiz sul-mato-grossense ganhou outro peso na Ásia

Distante de Mato Grosso do Sul, o artista percebeu que sua origem não precisava ser explicada em palavras para chegar ao público chinês. A sonoridade, os movimentos de palco e a própria presença cênica funcionaram como tradução da vivência trazida do Centro-Oeste brasileiro. Essa constatação, segundo ele, deu novo fôlego ao projeto Apuama, que carrega influências regionais na composição musical de Matu.

"A música consegue chegar antes mesmo da compreensão da língua. O movimento e a maneira como você se mostra traduzem os sentimentos além das palavras. Sem dúvida, eu consegui comunicar a minha origem e a minha história de muitas formas", avaliou.

Fora dos estúdios de gravação, a rotina chinesa também chamou atenção do cantor, especialmente pela integração tecnológica em serviços do dia a dia, como pagamentos e transporte, e pelo contraste entre arquitetura futurista e preservação de tradições nas cidades visitadas. "As cidades mesclam uma arquitetura futurista ao mesmo tempo em que preservam a história e a ancestralidade. Esse equilíbrio entre tradição e futuro foi uma das coisas que mais me marcou", relatou.