Caarapó leva projeto Maria da Penha para dentro das salas de aula
Psicólogas e assistente social conversaram com alunos do 5º ao 7º ano sobre violência doméstica em escola municipal de Caarapó
Foto: LUIS BELO / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)
Estudantes do 5º ao 7º ano da Escola Municipal Cândido Lemes dos Santos, em Caarapó, participaram entre os dias 22 e 24 de setembro de 2026 de rodas de conversa sobre violência doméstica, respeito e direitos dentro do projeto "Maria da Penha vai à Escola: informação e respeito". A iniciativa juntou psicólogas e uma assistente social da rede municipal de proteção para tratar, com linguagem adequada à idade, de um tema que normalmente fica restrito aos gabinetes de atendimento.
A ideia de levar esse debate para dentro da sala de aula parte de um diagnóstico conhecido por quem trabalha com assistência social: muitos casos de violência dentro de casa só chegam ao conhecimento do poder público quando já se arrastam há anos, porque crianças e adolescentes não sabem a quem recorrer. Em Caarapó, a aposta foi antecipar esse contato, aproximando os estudantes dos serviços de proteção antes que uma situação de risco se agrave.
Quem conduziu as rodas de conversaAs atividades foram tocadas pelas psicólogas Jéssica Borges Fortunato, Claudiane Dias Valério e Thalia Ternovoe Nepomuceno, com participação da assistente social Joyce Aparecida Codonho. O projeto nasceu de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Cultura e a Secretaria Municipal de Assistência Social, com organização da Coordenadoria de Políticas Públicas para Mulheres e apoio técnico do CRAS Urbano, do CREAS e do Cadastro Único.
Nos encontros, os profissionais trabalharam conceitos como controle, discriminação e agressão, tentando desconstruir a ideia de que relações marcadas por medo ou submissão seriam normais. A proposta trata a escola como espaço de formação de valores, e não apenas de conteúdo curricular, um ponto que a própria prefeitura destaca como eixo da ação.
Por que a escola virou porta de entrada da rede de proteçãoColocar psicólogas e assistente social dentro da escola tem um efeito prático: aproxima o aluno dos serviços municipais de proteção contra a violência doméstica, algo que muitas famílias desconhecem ou não sabem como acionar. Segundo a prefeitura de Caarapó, essa presença facilita a identificação precoce de casos que, sem esse contato, poderiam permanecer invisíveis dentro de casa por muito tempo.
Projetos semelhantes de aproximação entre escola e rede de proteção têm ganhado espaço em municípios de Mato Grosso do Sul como estratégia de prevenção, já que a faixa etária do 5º ao 7º ano corresponde justamente ao período em que adolescentes começam a formar suas primeiras noções sobre relacionamentos e limites pessoais.
Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE CAARAPÓ