BYD acelera nacionalização e quer produzir metade das peças dos veículos no Brasil em 2027

Montadora amplia investimentos na fábrica de Camaçari e reforça presença em Mato Grosso do Sul, onde aposta no crescimento das vendas de elétricos e híbridos

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A BYD, maior fabricante de veículos elétricos do mundo, pretende alcançar 50% de nacionalização das peças utilizadas nos carros produzidos em sua fábrica de Camaçari (BA) já no início de 2027. A meta foi reforçada pelo vice-presidente sênior da empresa no Brasil, Alexandre Baldy, que defende a ampliação da produção local para reduzir a dependência de componentes importados da China e fortalecer a cadeia automotiva nacional.

Inaugurada em outubro de 2025 no complexo industrial que anteriormente abrigava a Ford, a unidade produz atualmente os modelos Dolphin Mini, King e Song Pro. Hoje, a operação é baseada principalmente na montagem final de kits semiprontos importados, mas a montadora trabalha para concluir áreas de soldagem, pintura e estamparia de carrocerias, além de iniciar a fabricação local de baterias e motores elétricos.

A estratégia está ligada às mudanças tributárias previstas para janeiro de 2027, quando os kits de veículos eletrificados importados passarão a pagar 35% de imposto de importação. Para manter a competitividade, a empresa prevê investimentos de aproximadamente R$ 11,3 bilhões e já homologou mais de 400 fornecedores, além de negociar com outros 250 parceiros para integrar a cadeia produtiva nacional. O plano inclui a instalação de 17 fábricas fornecedoras dentro do complexo de Camaçari.

Em Mato Grosso do Sul, a marca também avança. A BYD conta atualmente com concessionárias em Campo Grande e Dourados, operadas pelo Grupo Raviera, e vem ampliando sua estrutura no Estado para acompanhar o aumento da demanda por veículos elétricos e híbridos. Em 2026, a rede projetou comercializar cerca de 100 veículos da marca por mês somente na Capital, impulsionada pelo interesse crescente em modelos como o Song Pro, o King e o Dolphin Mini.

Além do mercado brasileiro, a fábrica baiana deverá se tornar uma plataforma de exportação para a América Latina. A expectativa é atender encomendas de 50 mil veículos para a Argentina e outros 50 mil para o México a partir de 2027. Com cerca de 9 mil empregos diretos já gerados, a operação é considerada um dos principais projetos de industrialização do setor automotivo brasileiro e pode ampliar ainda mais a oferta de veículos eletrificados em mercados em expansão, como Mato Grosso do Sul.