Brasil e Angola ampliam parceria no agronegócio com acordo para investimentos e produção
Memorando assinado em Luanda prevê cooperação em grãos, pecuária, genética, máquinas e pesquisa, após aproximação impulsionada por fórum empresarial
A cooperação entre Brasil e Angola no agronegócio avançou com a assinatura de um Memorando de Entendimento voltado à ampliação dos investimentos e da produção agropecuária no país africano. O documento foi firmado em 15 de setembro, em Luanda, pelo ministro brasileiro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo ministro da Agricultura e Florestas de Angola, Isaac dos Anjos.
O acordo estabelece como prioridades a produção de grãos e cereais, pecuária, melhoramento genético, máquinas e implementos agrícolas, armazenamento, bioinsumos e cooperação técnico-científica. A iniciativa pretende aproximar governos, empresas, produtores, instituições financeiras e centros de pesquisa, além de estimular investimentos brasileiros capazes de ampliar a capacidade produtiva e a segurança alimentar angolana.
Entre os projetos previstos está o Terra Lunda, que deverá ocupar cerca de 20 mil hectares na província de Lunda Norte e funcionar como piloto do Programa de Investimento Produtivo Agropecuário Brasil-Angola. A iniciativa envolve transferência de conhecimentos e tecnologias da agricultura tropical brasileira e havia sido apresentada com investimento estimado em US$ 83,2 milhões, com implantação prevista entre 2027 e 2030.
A aproximação ganhou força no Fórum do Agronegócio Angola-Brasil, realizado em agosto, em Luanda, pelo LIDE Angola. O encontro reuniu autoridades, empresários e investidores dos dois países e contou com a participação da ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu, do fundador e co-chairman do LIDE, João Doria, e do presidente do LIDE Angola, Venceslau Andrade. Durante o fórum, o governo angolano anunciou ter identificado aproximadamente 800 mil hectares para avaliação de projetos envolvendo investidores brasileiros.
Com o memorando, a parceria avança de uma cooperação concentrada principalmente na transferência de conhecimento para uma agenda também direcionada a investimentos produtivos. Para Angola, a expectativa é aproveitar a experiência brasileira em agricultura tropical para aumentar a produção e desenvolver cadeias produtivas; para o Brasil, o movimento abre novas oportunidades para produtores, empresas de máquinas, tecnologia, genética e outros segmentos do agronegócio interessados no mercado africano.