Bolívia apreende 1,2 tonelada de maconha a 25 km de Corumbá
Carga estava escondida em pallets e bolsas dentro de caminhão parado na Rodovia Bioceânica, rota que liga a fronteira boliviana a Corumbá
Reprodução/gov.br (imagem ilustrativa)
Um caminhão carregado com 1.249,12 quilos de maconha foi interceptado por policiais bolivianos nas proximidades do pedágio de Motacusito, em Puerto Suárez, cidade colada à fronteira com Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense. A droga estava fracionada em 1.669 pacotes, distribuídos entre bolsas, pallets de madeira e uma lona que cobria parte da carga, segundo o balanço divulgado pelas autoridades da Bolívia nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026.
A apreensão não é um caso isolado: ela integra a operação permanente Frontera Segura 360°, montada pelas forças de segurança bolivianas para reforçar o controle sobre estradas e passagens usadas por organizações criminosas na faixa que separa o país de Mato Grosso do Sul. A Rodovia Bioceânica, via que corta a região e conecta o Brasil ao Pacífico, virou um dos pontos mais monitorados justamente por concentrar o fluxo de cargas — lícitas e ilícitas — que atravessam essa fronteira seca.
Como a Umopar chegou até o caminhãoA abordagem foi conduzida por equipes da Umopar de Puerto Quijarro, unidade boliviana especializada em combate ao narcotráfico que atua nessa área de fronteira há anos. Foi essa força que localizou o veículo parado próximo ao pedágio e, ao vasculhar a carga, encontrou os pacotes de droga distribuídos de forma a dificultar a identificação em uma fiscalização de rotina.
Depois da pesagem, que confirmou o total de mais de uma tonelada, o caminhão foi apreendido e permanece retido enquanto seguem os trâmites do caso. A pessoa detida no momento da abordagem foi encaminhada aos procedimentos previstos pela legislação boliviana. Até a divulgação do balanço, as autoridades não haviam revelado de onde a droga havia saído nem qual seria o destino final da carga.
Rota que preocupa também o lado brasileiroA proximidade entre Puerto Suárez e Corumbá transforma qualquer apreensão desse porte em assunto direto para a segurança pública sul-mato-grossense. A cidade brasileira, separada da fronteira boliviana por poucos quilômetros, já registrou neste ano outras ações de combate ao tráfico que evidenciam o uso da região como corredor de passagem de drogas rumo a centros maiores do Brasil, como mostrou o rescaldo de uma ação conjunta que destruiu 145 hectares de plantação de maconha na fronteira com MS em operação anterior.
O caso reforça a pauta debatida por gestores públicos da região, que já discutiram estratégias conjuntas de segurança e assistência na faixa de fronteira, tema tratado em um encontro que reuniu treze cidades do Pantanal para discutir trabalho escravo e assistência na fronteira. Para quem acompanha o dia a dia de Corumbá, episódios como esse mostram que o controle do lado boliviano tem relação direta com o que chega — ou deixa de chegar — ao território brasileiro.
Fontes: UMOPAR PUERTO QUIJARRO; FOLHA MS