Bioinsumos movem R$ 1,82 bi e área tratada cresce 18% no país
Levantamento da CropLife mostra alta de 9,6% nas vendas entre janeiro e junho; MS é um dos estados que puxam uso de biológicos na soja e no milho
Coordenação-Geral de Observação da Terra/Wikimedia Commons (CC BY-SA)
O mercado brasileiro de bioinsumos fechou o primeiro semestre de 2026 com R$ 1,820 bilhão em vendas, 9,6% a mais do que no mesmo período do ano passado, quando o setor movimentou R$ 1,661 bilhão. Os números são do CropData, plataforma de dados da CropLife Brasil, entidade que reúne empresas de defensivos e biológicos no país.
O crescimento em valor veio acompanhado de um salto ainda maior na área tratada com esses produtos: de 39 milhões para 46 milhões de hectares, avanço de 18% na comparação entre os dois semestres. Para o setor, o descompasso entre os dois indicadores conta uma história própria: mais lavoura está recebendo bioinsumos, mas o preço médio por hectare tratado está caindo, sinal de que o produtor está diluindo o uso da tecnologia numa área maior.
Bioinseticidas dominam vendas puxados pelo milho safrinhaOs bioinseticidas concentraram quase metade do mercado no semestre, com R$ 858,2 milhões em vendas, equivalente a 47% do total movimentado pelo setor. Em área tratada, a categoria também liderou, com 16,4 milhões de hectares, ou 35% do total nacional, impulsionada pelo plantio do milho de segunda safra, período em que o controle biológico de pragas ganha força nas lavouras do Centro-Oeste.
Atrás dos bioinseticidas vêm bionematicidas, biofungicidas e inoculantes, categorias cujo ciclo de compra e aplicação se concentra mais entre junho e dezembro, alinhado ao calendário da soja. Segundo o gerente executivo da CropLife Brasil, Renato Gomides, a área tratada crescendo mais rápido do que o faturamento indica que os biológicos estão chegando a mais hectares combinados ao defensivo químico dentro do manejo integrado de pragas. "Essa combinação amplia as ferramentas do produtor e ajuda no controle de pragas e doenças", afirmou o executivo em nota divulgada pela entidade.
Registro de novos produtos ainda leva quase dois anosEntre janeiro e setembro de 2026, o Brasil somou 61 bioinsumos com registro ativo, sendo 44 produtos de agentes microbiológicos, 9 de agentes macrobiológicos e 8 bioquímicos. A CropLife Brasil aponta que o prazo médio para aprovação de um produto biológico gira em torno de 20 meses, e cai para 16 meses quando o produto é biológico e orgânico ao mesmo tempo, um gargalo que a entidade cobra do governo federal para acelerar.
Para Mato Grosso do Sul, estado que respondeu por mais de US$ 1,1 bilhão em exportações de carne bovina só no primeiro trimestre deste ano, conforme já mostrou o MSConecta, o avanço dos bioinsumos tem efeito direto na cadeia de grãos que sustenta a pecuária e a agroindústria do estado. A soja e o milho cultivados em polos como Dourados, Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste dependem cada vez mais desse tipo de manejo para reduzir custo com defensivo químico e atender exigências de sustentabilidade impostas por compradores internacionais.
Os dados do levantamento foram compilados pela consultoria Move Analytics com base no Agrofit, sistema do Ministério da Agricultura e Pecuária que reúne apenas os registros de produtos ativos no país.
Fontes: CROPLIFE BRASIL; CANAL RURAL