Bezerro criado sem colostro nas primeiras horas chega mais tarde ao abate

Veterinário explica como falhas logo após o nascimento comprometem o crescimento do animal e reduzem a rentabilidade do rebanho — especialmente em MS, onde a pecuária de corte domina o campo.

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Arte/MSConecta

Nas fazendas de Mato Grosso do Sul, onde a pecuária de corte responde por uma das principais fontes de renda do agronegócio estadual, um erro cometido nas primeiras horas de vida de um bezerro pode custar caro meses ou até anos depois: a ausência do colostro, a falha na cura do umbigo ou um ambiente úmido logo após o parto são suficientes para comprometer o desenvolvimento do animal, elevar a mortalidade neonatal e empurrar para frente a data de entrada na reprodução ou o abate.

O alerta vem de Gibrann Frederiko, médico veterinário e promotor de vendas da Nossa Lavoura, que detalha um protocolo de manejo para os primeiros dias de vida dos bezerros. O argumento central é fisiológico: o recém-nascido não tem sistema imunológico próprio consolidado e depende inteiramente do que recebe do ambiente e da mãe para sobreviver à fase mais vulnerável da vida.

Colostro: a janela que fecha em poucas horas

O primeiro passo — e o mais urgente — é garantir o fornecimento do colostro logo após o nascimento. "O bezerro nasce com pouca proteção imunológica e, por isso, os cuidados logo após o nascimento fazem muita diferença. É importante verificar a respiração, garantir que ele consiga mamar, fornecer o colostro o mais cedo possível e fazer a cura do umbigo, além de manter o animal em um ambiente limpo e seco", orienta Frederiko.

A explicação biológica é direta: a capacidade do organismo do bezerro de absorver os anticorpos presentes no colostro é máxima nas primeiras horas de vida e cai rapidamente com o tempo. Quando esse fornecimento falha ou é tardio, aumentam os riscos de diarreia, pneumonia e infecções — doenças que, além de ameaçar a vida do animal, reduzem a eficiência alimentar e atrasam o crescimento. O colostro ainda carrega proteínas, vitaminas, energia e fatores de crescimento que nenhum sucedâneo replica com a mesma eficácia nas primeiras mamadas.

Umbigo, verminose e rotina de observação: os outros pilares do protocolo

A cura do umbigo é o segundo ponto crítico do protocolo. A estrutura umbilical funciona como uma via de entrada direta para bactérias no organismo do recém-nascido: sem o tratamento adequado com produto apropriado logo após o parto — e com repetições conforme o protocolo —, o animal fica exposto a infecções graves. O produtor deve observar a região diariamente em busca de inchaço, secreção ou mau cheiro.

A vermifugação, segundo o veterinário, também entra nesse planejamento desde cedo. "A vermifugação deve ser considerada no manejo dos bezerros, levando em conta a idade, o ambiente, a categoria animal e o histórico da propriedade. A medida contribui para reduzir perdas de nutrientes, atraso no crescimento e contaminação das pastagens, além de ajudar a evitar a resistência dos parasitas aos medicamentos", recomenda Frederiko. O controle precoce de parasitas é especialmente relevante no período chuvoso, quando a infestação de pastagens tende a aumentar — condição comum nas regiões produtoras de MS entre outubro e março.

Além das intervenções técnicas, o veterinário destaca que a observação diária do comportamento do bezerro precisa se tornar parte da rotina da fazenda. Falta de apetite, apatia, isolamento, diarreia, tosse e respiração acelerada são sinais de alerta que, identificados cedo, aumentam significativamente as chances de recuperação. "Quanto mais cedo um problema é reconhecido, maiores são as chances de recuperação. Por isso, a observação deve fazer parte da rotina da fazenda", reforça Frederiko. O registro de nascimentos, doenças e tratamentos é a ferramenta que permite ao produtor enxergar padrões e corrigir falhas antes que elas se acumulem no resultado do rebanho.

Doenças neonatais não tratadas ou mal manejadas deixam rastros que vão além da fase de cria: comprometem a eficiência alimentar, atrasam a entrada na reprodução ou no abate e, nos casos mais graves, provocam descarte precoce ou morte — com impacto direto na produtividade e na rentabilidade de quem cria boi em MS.

Fontes: NOSSA LAVOURA; NOTÍCIAS AGRÍCOLAS