Arroba do boi bate recorde de R$ 372,95 e anima pecuarista de MS
Oferta restrita de animais terminados empurra preço a novo patamar; produtor de MS pode se beneficiar da escassez e da procura por fêmeas de reprodução
Jonathan Gobarden/Pexels
O preço da arroba do boi gordo fechou a segunda-feira (5 de outubro de 2026) em R$ 372,95, novo recorde nominal segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Para o pecuarista de Mato Grosso do Sul, estado que figura entre os maiores rebanhos bovinos do país, a notícia chega em meio a um cenário de oferta curta de gado terminado, o que tem segurado as cotações mesmo em dia de menor movimento comercial.
O ciclo pecuário vive um momento de escassez de animais prontos para abate, e isso muda o jogo de quem decide vender agora ou esperar. Frigoríficos espalhados pelo país vêm enfrentando dificuldade para fechar escalas, e esse aperto é o principal motor por trás da valorização registrada nesta semana.
Escalas de abate encolhem e pressionam frigoríficosSegundo levantamento divulgado pelo Canal Rural com base em dados do Cepea, as escalas de abate no país variam hoje entre três e sete dias na maioria das praças, com casos pontuais de negociações programadas para até 14 dias. É um intervalo curto, que mostra o frigorífico correndo atrás de animal para não parar a linha de produção.
Em Mato Grosso, estado vizinho e referência direta para o mercado de MS, o comportamento varia por região. Em Colíder, no norte mato-grossense, as cotações subiram até R$ 10 por arroba, com negócios fechados entre R$ 335 e R$ 340. Já em Rondonópolis, a valorização recente tem levado o produtor a segurar o boi pronto na fazenda, na expectativa de preço ainda melhor, reduzindo a liquidez do mercado local.
Produtor de MS negocia reposição em alta e mira estação de montaO movimento de retenção de animais, observado em praças como Rondonópolis, é o mesmo cálculo que pecuaristas de Mato Grosso do Sul costumam fazer quando o preço da arroba sobe: esperar mais um pouco pode significar vender mais caro adiante, desde que o custo de manter o gado na pastagem não corroa o ganho.
O segmento de reposição também aquece o caixa de quem cria. Segundo o Cepea, a procura por fêmeas para reprodução está firme, puxada pela proximidade da estação de monta, período em que o produtor investe em matrizes para repor o plantel. A oferta de boi magro segue curta, o que tem valorizado o garrote e reforça o ciclo de alta que já vinha sendo sentido na ponta do boi gordo pronto para abate.
No Rio Grande do Sul, o quadro é mais estável, com negócios em lotes menores e cotações variando pouco. Já nas praças de Mato Grosso, a escala de abate chega a nove ou até 14 dias em Colíder, sinal de que a oferta ali consegue atender melhor a demanda dos frigoríficos do que em regiões mais apertadas.
Para o pecuarista sul-mato-grossense que acompanha de perto o desempenho do rebanho no estado, o recorde da arroba reforça a lógica de que escassez de animal pronto segue sendo o fator decisivo de preço, tanto no boi quanto em outras cadeias da pecuária, como mostrou recentemente o levantamento sobre a produção de leite no país.