Alunos de Ponta Porã criam app que traduz piscar de olhos em fala

Em três dias, turma do 4º e 5º anos testou 16 versões do Piscar e Falar, já usado por um morador do Assentamento Dorcelina Folador com ELA

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Divulgação/Prefeitura Municipal de Ponta Porã

Uma turma de crianças de 9 e 10 anos da Escola Municipal Juvenal Fróes, em Ponta Porã, criou um aplicativo que transforma o piscar de olhos em palavras faladas. A ferramenta, batizada de "Piscar e Falar", já está em uso por Rosinei Monteiro da Silva, de 47 anos, pedreiro e morador do Assentamento Dorcelina Folador, que perdeu os movimentos do corpo e a fala por causa da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

O projeto nasceu de um jeito simples: a escola soube da situação de Rosinei e decidiu transformar o drama em sala de aula em tarefa de pesquisa. Em 13 de agosto, os alunos do 5º ano se reuniram para discutir como ajudar o pedreiro a se comunicar de novo. Dali em diante, a turma passou a estudar a doença e as tecnologias assistivas que já existiam no mercado, usando a Sala de Tecnologia da escola como laboratório.

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O resultado veio rápido: em apenas três dias, as crianças desenvolveram e testaram 16 versões do aplicativo, com apoio de ferramentas de inteligência artificial para montar o código. Segundo a direção da escola, o app não é cópia de nenhum programa pronto: foi pensado do zero pelos próprios estudantes a partir dos comandos definidos com a coordenação pedagógica.

Como funciona o piscar que vira frase

Na tela do aplicativo, linhas de letras se acendem uma a uma, de cima para baixo. Quando a linha que interessa ao usuário é iluminada, ele fecha os olhos por alguns segundos para selecioná-la, diferente de uma piscada natural e rápida, que o sistema ignora. Depois, o mesmo movimento escolhe a letra certa dentro daquela linha, até formar palavras e frases completas, que o aparelho lê em voz alta.

O app também carrega mensagens prontas para o dia a dia, como pedidos de água, de remédio, de ida ao banheiro, chamado para o médico ou simplesmente a vontade de assistir à televisão, ouvir música ou dizer "eu te amo" a um familiar. A ideia, segundo a escola, foi dar a Rosinei uma forma barata de seguir participando da própria rotina, já que parte das tecnologias assistivas disponíveis no mercado tem custo alto, enquanto as opções gratuitas costumam ser limitadas.

O teste que valeu mais que a teoria

A etapa decisiva, de acordo com a escola, foi colocar o aplicativo nas mãos (e nos olhos) do próprio Rosinei. Os alunos acompanharam o uso real, anotaram falhas e trouxeram para a sala de aula o que precisava ser ajustado. Foi esse ciclo de teste e correção que levou às 16 versões produzidas em três dias, cada uma incorporando uma dificuldade identificada no uso cotidiano.

O caso de Ponta Porã entra numa lista crescente de escolas de Mato Grosso do Sul que têm usado tecnologia aplicada a problemas reais como parte do currículo, caminho que também apareceu recentemente em uma escola estadual de Dourados que formou 82 alunos em curso de inteligência artificial e em Três Lagoas, onde uma escola estadual formou 73 alunos em cursos de tecnologia.

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Fontes: PREFEITURA MUNICIPAL DE PONTA PORÃ