Algodão sobe em Nova York e dezembro fecha a 83,31 cents/lb

Contratos futuros avançam pelo 2º dia seguido em meio à trégua comercial entre EUA e China; MS é polo nacional da fibra

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Coordenação-Geral de Observação da Terra/Wikimedia Commons (CC BY-SA)

Os contratos futuros de algodão fecharam em alta pela segunda sessão consecutiva na Bolsa de Nova York nesta quinta-feira (24), movimento puxado por sinais mais firmes de continuidade no comércio entre Estados Unidos e China. O vencimento de dezembro/26 avançou 0,50% e fechou a 83,31 cents/lb, enquanto o contrato mais próximo, outubro/26, subiu 0,76%, para 79,51 cents/lb.

O movimento de Nova York interessa diretamente ao produtor sul-mato-grossense, já que o preço da bolsa americana serve de referência para a formação de valor da pluma negociada no Brasil. Qualquer oscilação nos pregões internacionais chega, com defasagem de dias, à mesa de negociação de quem planta algodão em municípios como Chapadão do Sul e Costa Rica, no norte do estado, região que vem ampliando área plantada nas últimas safras.

Trégua comercial sustenta otimismo do mercado

Por trás da valorização está a expectativa em torno da reunião entre autoridades dos Estados Unidos e da China realizada nesta quinta-feira, ainda sem detalhes divulgados sobre o conteúdo das tratativas. A leitura do mercado, no entanto, foi positiva depois que a secretária do Tesouro americano, Bessent, afirmou nesta semana que os dois países decidiram prorrogar a trégua comercial por mais dois meses — sinal que os operadores interpretaram como redução de risco para as exportações de fibra.

Some-se a isso o relatório semanal de vendas para exportação divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que mostrou 230.517 fardos de algodão comercializados na semana encerrada em 17 de setembro — o maior volume do atual ano comercial. Os embarques do período somaram 164.704 fardos, alta de 20,03% na comparação com a mesma semana do ano passado, segundo dados do Barchart citados pelo mercado.

Petróleo em disparada acende alerta paralelo

Enquanto o algodão subia, o petróleo bruto disparava nesta quinta-feira em meio ao agravamento da tensão no Oriente Médio. O Irã ameaçou ampliar o conflito na região, e as chances de reabertura do Estreito de Ormuz — rota estratégica para o transporte global de petróleo — recuaram no radar dos investidores. O mercado também repercutiu um ataque com mísseis disparados por militantes houthis do Iêmen contra o porto saudita de Yanbu e a cidade de Taif.

A escalada no preço do barril tende a pressionar o custo do frete e dos insumos agrícolas nos próximos meses, cadeia que afeta o produtor de algodão de MS tanto quanto as cotações em Nova York. O estado também acompanha de perto o desempenho de outras commodities agrícolas nos pregões internacionais, como mostrou o fechamento da semana anterior do algodão em Nova York, quando a fibra havia recuado 8,3%.

Fontes: USDA; BARCHART; NOTÍCIAS AGRÍCOLAS